sexta-feira, 15 de maio de 2015

Crítica: A Entrega (2014)

Tom Hardy é um cara realmente multi versátil. Tanto ele quanto James Gandolfini. Ele que na “A Entrega” do diretor Michaël R. Roskam aparece apagado como um ser violento e inconsequente. Coisa que em “Sopranos” preenche esses dois requisitos. Se na série da HBO vemos ele como um violento mafioso italiano. Aqui ele faz um dono de bar que já teve dias áureos, mas vive das glorias do passado e pensando em modos fáceis de ganhar a vida.

O filme sai um pouco da linha de filmes de gangster clássicos onde vemos uma violência desenfreada como “Os Bons Companheiros” de Martin Scorsese e sim se concentra no drama e até num ótimo suspense. Tom Hardy da o “tom” do filme que apresenta uma excelente fotografia. Nicolas Karakatsanis é o diretor de fotografia, no qual ele faz uma excelente escolha com planos convencionais até. Mas abusa da iluminação nos cenários. E isso só aumenta tanto a tensão nas cenas, como também para mostrar as personalidades dos personagens. Caso em uma cena onde Bob (Hardy) está sendo confrontado por um bandido, e quando munda o plano, a iluminação munda também. Passando para um vermelho que se reflete nele e o semblante de Bob muda, de um cara calmo para um ser agressivo. Essa cena realmente é espetacular. Tom Hardy é um excelente ator e sua interpretação só engrandece ainda mais esse ótimo filme e de certa forma podemos até pensar que é uma homenagem póstuma a James Gandolfini já que esse é o seu ultimo trabalho.  


O roteiro que é baseado num conto do também roteirista do filme Dennis Lehane (Sobre Meninos e Lobos e a Ilha do Medo) conta a vida do submundo da máfia. Bob começa com uma excelente narração falando que o bar do seu primo, Marvin (Gandolfini) é um deposito de dinheiro do crime. Numa noite eles são assaltados e isso serve tanto pra começar uma investigação sobre o bar como também sobre o passado de Bob e Marvin. Na mesma noite Bob está indo pra casa e ouve um gemido, ele abre uma lata de lixo e um filhotinho de pitbull está ensanguentado. Essa cena serve também para ele conhecer a garçonete Nadia (Noomi Rapace) que cuida do cachorro, e assim se cria um vinculo de amizade entre os dois.

O filme apresenta algumas reviravoltas que são geniais, tanto de Bob como de Marvin. Principalmente pra Bob, que explica o porquê da fé e do seu autocontrole em frente a soluções de enfrentamento. Achei muito legal a simbologia de ele encontrar um filhote de pitbull e quando ele diz pra Nadia que eles são maus cães, ela vira e fala “isso depende do modo como ele é criado”.  A história coloca um ótimo ponto de vista da alma primitiva do homem e também o impulso sobre as situações.


Acho que o único momento que o filme peca é quando ele deixa um pouco confuso o passado de Bob, mas claro que são interpretações que o próprio diretor quer que você aprofunde, ou melhor, pense sobre como podemos mudar e acalmar “nossas feras” principalmente nesses tempos dos extremos. Uma boa produção e uma bela homenagem aos filmes de crime e também como ele sai da vertente de produções desse tipo e mergulha no drama e também bebe um pouco do suspense. Além claro de vislumbrar um ótimo trabalho de Tom Hardy que está se mostrando um dos melhores atores dessa geração e também pra se despedir desse excelente ator que foi James Gandolfini.

Assista “A Entrega” e tire suas próprias conclusões sobre o obscuro ou a iluminação da alma humana.

 Nota:
  

              

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Crítica: Life Itself – A Vida de Roger Ebert (2014)

É difícil você falar de uma pessoa que você admira e tentar se expressar sobre isso numa crítica. Primeiro que acho que em certos assuntos um crítico ou jornalista não deva entrar no campo emocional. Dizer que sempre acompanhei o trabalho do Roger Ebert é mentira, o conheci no dia da sua morte.  E isso se deve aos vários textos de “colegas” críticos anunciando seu falecimento, Li texto do Pablo Villaça, NY Post e claro o Chicago Tribune onde ele escrevia.  Aos poucos fui cada vez mais entrando no mundo de Ebert e vendo sua importância para o cinema, jornalismo, críticas cinematográficas e ainda mais um levante pessoal.

Quando fiquei sabendo que ia lançar um documentário sobre ele fiquei muito empolgado. Lembro que pensei “Nossa, finalmente vou ver como um crítico trabalha”.  Fiquei admirado com aquele mundo quando assisti o documentário de Steve James. O “doc” em si é incrível, o diretor conseguiu reunir várias obras, fotos pessoais e depoimentos de pessoas de peso de Hollywood, como Martin Scorsese, Werner Herzog e Ava DuVernay. Sem falar no pessoal da crítica e também familiares e sua parceria com o seu antigo companheiro de programa Gene Siskel.

Uma coisa que também chamou bastante atenção é como o documentário mostrava a pessoa em si e não tenta “santificar” a pessoa relatada. No decorrer dos depoimentos, percebemos que Ebert, na verdade era uma pessoa sarcástica, inteligentíssima, acreditava nele mesmo e em seu talento.  Algumas histórias aparecem como seu vicio no álcool e também seu ego que acabava prejudicando outras pessoas. Mas de certa forma ele não é mostrado como um monstro quando ele fala sobre os filmes, como em dois casos. O primeiro quando vai no “talk show” do Johnny Carson e Chevy Chase está lá e o apresentador pergunta o que assistiu recentemente? E ele responde que odiou “Os Três Amigos” e Chase que não é conhecido por ser a melhor pessoa do mundo, fica com uma reação impagável na frente do crítico.  Mas é de certa forma admirável como ele consegue trabalhar todos esses conceitos, ou melhor, de ser autentico tanto com ele como para seu publico.  Outro caso interessante é quando temos o depoimento de Scorsese e ele fala que acabou de fazer “Touro Indomável” entrou em declínio na carreira, se afundando nas drogas e seu terceiro casamento tinha acabado.  E ele não conseguia mais se reerguer, então Ebert e Siskel fizeram uma homenagem para Scorsese em Toronto e ele percebeu sua importância ao meio artístico como por parte do publico. Mas isso não ajudou quando os dois detonaram “A Cor do Dinheiro”.  

Roger Ebert e Gene Siskel
O documentário decorre a vida de Ebert, passando por várias fazes como seu casamento com a sua mulher Chaz Ebert. Como ele trata de assuntos delicados como o fato dela ser negra e ele branco e que mesmo num assunto tão delicado consegue passar com bom humor. Isso mostra uma personalidade e também conhecimento sobre as pessoas por parte dele. Percebemos também como ela conseguiu mostrar outro lado para Ebert, e também como “uma mulher transforma um homem”. Uma cena em particular que me deixou muito impactado é quando ele fala sobre a morte. Basicamente ele fala que não teme ela, e que ele vai estar lá até o final, quer ver o que está atrás dela. Acho difícil você encarar a morte quando é um doente terminal, mais fácil ser macabro quando saudável, já que a morte vai demorar a vir.

Roger e Chaz Ebert
A história do documentário acaba na morte de Roger Ebert. É emocionante ver como a construção da edição do diretor consegue nos envolver, é impossível não ficar emocionado com a vida dele. E ainda mais deu para perceber como a frase de Woody Allen faz ainda mais sentindo quando vemos esse documentário. Allen diz: “Talento é sorte, o mais importante na vida é ter coragem”. E isso Rober Ebert teve de sobra, uma pessoa realmente impactante. E um documentário ambicioso, corajoso e muito bem realizado. Valeu todas as homenagens a esse grande crítico, apresentador, roteirista e ainda mais por cima uma grande pessoa. 

Nota: 
  

         

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Crítica: Amantes (2008)

Nunca um filme foi tão verdadeiro ao mostrar as relações “homem e mulher”, e ainda mais expor os sentimentos de uma forma tão verdadeira e cruel. É incrível como a direção de James Gray consegue focar tanto na esperança como na dor de um amor. Facilmente conseguimos nos identificar com todos os personagens da trama. Como o homem dividido entre a certeza e atração, uma mulher insegura com ela mesma e se envolve em relacionamentos fracassados e outra que pede por socorro silenciosamente e se entrega a ele.

Quando disse que facilmente conseguimos nos identificar com a história, é porque quem nunca passou por uma “friendzone”? Mesmo vendo a pessoa que você ama se afundando em problemas você fica com ela em todos os momentos, jurando que aquela devoção cega um dia vai ser retribuída como amor verdadeiro. Mas no fundo sabemos que isso nunca vai acontecer. É o que Leonard (Joaquin Phoenix) passa e queremos ajudá-lo no filme todo, e quando ele conhece Sandra (Vinessa Shaw) e percebermos que ela é a mulher ideal para ele, ficamos felizes. Mas ao mesmo tempo com aparição de Michelle (Gwyneth Paltrow) ficamos meio abalados em relação aos próprios sentimentos de Leonard. Como disse facilmente nos vemos em tela e podemos nos identificar com a dor do personagem e todo aquilo que nos destrói por dentro. Como se não tivesse saída, e não podemos ver a felicidade na nossa frente.

A bela fotografia que Gray usa no filme ajuda a compor o cenário, e o uso das cores também, alias as cores é algo forte na filmografia do diretor. Desde “Os Donos da Noite” até “Amantes” as cores significa algo especial para os seus personagens.


O roteiro que conta com uma história até simples, de um homem que se vê perdido depois do rompimento com a sua noiva, e de como ele seguiu sua vida até as suas tentativas de suicídio. Assim no começo do filme vemos Leonard tentando se matar, mas algo o faz desistir. Os seus pais são donos de uma lavanderia assim ele tenta se desapegar daquele mundo parado, e ainda mais religioso já que eles são judeus. Na mesma noite em que ele tenta o suicídio ele conhece a bela Sandra, vemos que ele não é tão afim dela, mas ela é. No dia seguinte a vida de Leonard muda, ele conhece Michelle uma estranha mulher com quem ele de imediato se identifica e também se apaixona. Mas as verdades sobre a paixão é que um se apaixona, mas o outro não. Assim o vemos se afundando como disse no começo da crítica nos problemas de Michelle. E assim ele tenta de todas as formas seguir em frente, mas ela ainda mexe com ele.

O amor que Leonard sente é condizente tanto com seu lado patológico, ou seja, ele é distorcido. Não é condizente com a realidade. Mas será tão diferente a visão de um louco sobre o amor como a nossa?  Falam que morrer de amor é única forma aceitável de morrer e isso não é uma loucura? Acompanhar o ponto de vista nos olhos de Leonard é ver o mundo de uma forma cinza, e volto a repetir a importância das cores no filme. A forma com que ele lida com as promessas de Michelle é linda, já que sabemos que desde o começo elas não vão se realizar. E ao mesmo tempo o desespero e o alivio acompanham ele, o que é maravilhoso nas cenas finais do filme. Quando pensamos que Leonard vai tentar se matar novamente ele olha para uma luva que é preta, ou seja, o fim e vê algo brilhante nela. O simbolismo para a luz no fim do túnel. É claro que o limite poético da narrativa é rompido sempre, principalmente no ponto de vista dos personagens tanto da mãe de Leonard que é interpretado pela bela Isabela Rossellini, como por ele próprio que vê em Sandra, uma mulher desesperada. Leonard vê nela a chance de ser feliz, ou tentar se acostumar com aquela felicidade nunca alcançada.


Amantes, é um filme que você precisa ver de acordo com o seu estado de espírito. A parte técnica do filme como enquadramentos, direção de arte ou até mesmo atuação são sublimes, talvez seja um clássico contemporâneo das relações nunca alcançadas. Mas se você ver no estado de espírito destruído por alguma paixão, esse filme vai ser a melhor coisa que já assistiu. Mas te aviso que você vai sair pior do que entrou. Porque mais verdadeira que seja sua situação ela é apenas verdadeira, e a patologia independente do seu diagnostico é uma “O Amor dói”.


Nota:
 

             

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Crítica: Eu Sei Que Vou Te Amar (1986)

O amor é uma coisa estranha, e a prova disso são os filmes de Arnaldo Jabor onde ele aborda esse assunto. Um dos filmes mais aclamados da pornochanchada no qual ele dirigiu foi “Toda Nudez Será Castigada” onde ele conta como o amor encontra várias vertentes, desde um pai de família que se apaixona por uma prostitua e se casa com ela, e ao mesmo tempo ela se apaixona pelo seu enteado, no qual ele tem um bizarro caso com “O ladrão boliviano”. Como o próprio filme diz o amor não se explica, simplesmente sentimos.

Em 1986, Jabor escreveu e dirigiu “Eu Sei Que Vou Te Amar” que é uma forma de contar como o amor sobrevive mesmo com suas idas e vindas. A história fala sobre um casal que se separa e três meses depois e reencontra numa mansão para discutir o que aconteceu durante todo tempo de casado. Arnaldo Jabor é conhecido pela sua quebra de estrutura de roteiro, então ele não segue os caminhos normais da narrativa. A linguagem do filme lembra muito o “Acossado” do Godard, que usa a quebra da estrutura clássica e começa a contar outra história dentro do próprio filme. Mas a discussão lírica de “Eu Sei Que Vou Te Amar” é que da o charme a obra. O lirismo é uma abertura para mostrar um pouco do nonsense presente no filme também.


Fernanda Torres e Thales Pan Chacon são os divorciados que se encontram. O filme fala e abordam todos os aspectos da relação, que vai das brigas constantes, traições e as verdades que por mais estranhas que sejam eles falam sem rodeios. O dialogo do filme é muito bom, as tiradas do casal são incríveis. É impactante a química entre os dois, a combinação da estrutura do roteiro com os enquadramentos completa essa maestria do cinema nacional. As tensões sexuais do filme também é algo que da um ar diferenciado. Outro ponto são as obras de artes que enfeita a mansão, elas são um prato cheio para psicanalistas desvendarem ainda mais a “psique” do casal.

Apesar dos comentários de Jabor na televisão, que ele trás para o filme e causa certa “idiotice” para o papel de Thales Pan Chacon, o filme consegue se salva por ele mesmo que brinca com alguns tabus tanto do universo masculino como do feminino. Jabor apesar de falar muito “pepino” hoje em dia, é inegável sua qualidade como poeta e também como diretor.



O filme é um prato cheio de surpresas, ele mostra como o amor pode ser destruidor e ao mesmo tempo uma coisa doce que nos da esperança. Ele consegue captar os dois pontos na tela. Mas uma coisa eu garanto, você não vai terminar o filme sem algumas lagrimas e também indiferente sobre as relações tanto de casais, amigos ou familiares. Um excelente filme que merece ser visto como toda a filmografia de Arnaldo Jabor. 

Nota:

                             

sábado, 27 de dezembro de 2014

Os Melhores Lançamentos de 2014.. Top 10!

Final de ano é marcado por tradições, e para marcar essa data saiu à primeira lista de “top 10 de filmes lançados em 2014”

Se liguem ai...

Garota Exemplar
David Fincher é o diretor favorito da maioria dos cinéfilos, por causa de seus filmes mais cultuados como “Clube da Luta”, “Seven” e o excelente “Zodíaco”. Em seu novo filme que tem no elenco Ben Afleck, ele conseguiu montar uma boa história de conspiração, uma crítica a mídia americana e também da sociedade de forma geral. Um dos melhores filmes do ano que conta com a estréia da escritora do livro e que também escreveu o filme a estreante Gillian Flynn. Vale muito a pena assistir, principalmente para quem gosta de mistérios e ser surpreendido a cada cena.









The Skeleton Twins
Esse filme é um pouco complexo de se falar, ele foi dirigido pelo Craig Johson. Ele só tinha feito um filme em toda sua carreira que é o estranho “True Adolescents”. Mas em seu novo projeto que conta com a dupla de amigos e também Ex-SNL Kristen Wiig e Bill Hader, o filme conta a história de dois irmãos que crescem e perdem o contato, até que Harder tenta suicídio e Wiig o acolhe em sua casa. Assim eles refletem o passado, revisam a infância e escolhem o futuro. Um filme muito bonito que trata essa lealdade entre irmãos.









Rudderless
William H. Macy é um ator bem conhecido, ele fez alguns dos filmes mais legais do cinema como “Fargo” dos irmãos Coen, “Boogie Nights” e “Magnólia” ambos do Paul Thomas Anderson. Em Rudderless Macy dirigi, escreve e também produz o filme. Aqui ele conta a história de um pai que perde o filho num tiroteio na faculdade, nisso ele perde o emprego e se isola do mundo e vive de subempregos. Mas um dia sua ex-mulher trás as coisas do filho e ele descobre que ele era compositor. Assim ele começar a tocar as músicas do filho e aos poucos Sam (Bill Crudup) enfrenta a verdade sobre os eventos da faculdade e também começa a encarar a vida depois desse acidente.







Frank
Acho que tirando “Guardiões da Galáxia”, “Frank” é o filme mais nonsense nessa lista. Michael Fassbender faz um cantor excêntrico que usa máscara o tempo todo e tem uma banda, cujo os membros são mais estranhos que ele. Nisso ele parte para os E.U.A, mas o medo faz com que Frank entre numa paranoia. Assim ele se perde dele mesmo e da sua banda. O filme vale à pena, tanto pelo elenco que é excelente, como atuação do Fassbender  e a trilha sonora que é incrível. Um dos melhores do ano que vale estar nessa lista.









Hoje Eu Quero Voltar Sozinho
Baseado no curta que saiu em 2010, “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho” é uma bela história de amor, independência e também um trabalho contra o preconceito. Daniel Ribeiro que dirigi e também escreve o filme fez um excelente trabalho, tanto na direção geral como na direção dos atores que foi essencial. A equipe em si tem certo entrosamento que é raro se ver em alguns filmes nacionais. Para mim esse é o melhor filme nacional do ano.











Boyhood - Da Infância à Juventude
Richard Linklater é um visionário em termos de inovação de como contar um filme. Seja pela sua excelente trilogia do “Antes” que foi lançado sempre de 9 em 9 anos no qual acompanhamos a vida de um casal. A primeira vez que vi a trilogia achei a coisa mais incrível que pude assistir, porque as situações são tão reais, ou melhor, tentam ser. O novo projeto dele foi filmado ao longo de 12 anos e nisso podemos sim ver a realidade, os planos errados e a vida acontecendo. Para mim de longe um dos melhores filmes do ano e também o melhor de toda sua carreira.









Guardiões da Galáxia
Alguém achava que esse filme ia ser alguma coisa? Bom se você apostava, bem... Parabéns. Mas se você foi igual a mim, com certeza levamos um puta tapa na cara. Guardiões da Galáxia é o “MELHOR FILME DA MARVEL”. A direção é incrível, personagens, atores, roteiro e o que falar da trilha sonora? “Awesome MIX tape” é a melhor trilha de 2014.












Ela
Spike Jonze é um fofo! Sua criatividade é sem limites, acho que só se compara com Michel Gondry e Charlie Kaufman. Mas em “Ela” ele conseguiu trazer o tema relacionamento em outro patamar. Abordando várias coisas em uma só, como namoro a distancia que de certa forma é o que conta o filme e também o físico, em resumo ele diz que como os relacionamentos são difíceis e complexos não importa por quem você que apaixone. Um filme maravilhoso e que mereceu toda atenção no Oscar e na mídia esse ano.










The Grand Budapest hotel
Wes Anderson criou esse ano um dos filmes mais simpáticos e criativos de toda a sua carreira. Com o seu elenco de sempre que contam com Bill Murray, Jason Schwartzman e Owen Wilson como coadjuvantes, ele mudou um pouco e escalou como atores principais Ralph Fiennes, F. Murray Abraham e Tony Revolori. O filme é uma homenagem as produções da década de 20 e 30 e podemos ver isso nas cenas em que nos lembramos dos filmes de Chaplin até Buster Keaton, essa retrospectiva é maravilhosa e assim ele brinca tanto com a comédia como drama, sem falar na direção de arte que é maravilhosa.









Horns
Junto com guardiões esse filme foi uma surpresa. Apesar de ser baseado no livro de Joe Hill o filho de Stephen King, você fica com um pé atrás por causa do elenco e da história que é mais um romance bem dramático do que outra coisa. Mas o filme surpreende pela suas características pouco peculiares, como Ig (Daniel Radcliffe) vender a alma ao diabo para conseguir descobrir quem matou sua namorada e nisso ele ganha uma habilidade especial, fazer com que as pessoas digam a verdade sobre tudo. A direção fica por conta de Alexandre Aja, a trilha sonora é outro ponto alto, temos de David Bowie até Iggy Pop. E o desenvolvimento da trama é muito bem feito. Uma das melhores adaptações de livro desse ano. Ainda continua inédito no Brasil, mas um filme que vale muito a pena quando ele sair, se sair.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Crítica: Magia ao Luar (2014)

Talvez “Magia ao Luar” seja o filme mais pessoal de Woody Allen, depois claro de “Memórias” e “A Era do Rádio”. Digo isso porque ele coloca no mesmo quadro a crença e a racionalidade. Além dos roteiros incríveis que Allen consegue fazer, destaco também a ótima fotografia de Darius Khondji que já tinha trabalho com o Woody Allen em “Para Roma, com Amor” e o excelente “Meia-Noite em Paris”. Em ambos os filmes a fotografia se destaca. Mas em “Meia- Noite em Paris” é outra história. É incrível a beleza da paisagem parisiense se misturando com a época da “Belle-Époque”, que faz esse misto com  o novo e o velho,  e assim faz um visual policromático em que tudo se combina.

O filme conta a história de um mágico Stanley (Colin Firth) que mesmo vivendo das artes do mistério e do sobrenatural ele é crente e acredita que o mundo é horrível, com pessoas medíocres que vivem nele e a base de tudo é a racionalidade. Stanley está na sua ultima apresentação antes de entrar em férias e viajar com a sua noiva, mas um antigo colega de profissão faz uma visita e revela que uma “médium” está ganhando fortunas à custa de uma família rica. Ele chama Stanley para tentar desmascarar essa mulher, já que ele próprio começou acreditar nela.

As locações foram gravadas na Europa, e usou o ambiente dos anos 20, tiro destaque também para a caracterização de época que está perfeita, os detalhes dos vestidos e das roupas, revelam muito da característica dos personagens. Colocamos como exemplo Stanley, que sempre usa roupas listradas, com cores sempre num tom comum, seja no marrom ou o preto, que revela uma antipatia e também uma carência de felicidade até. O que entra em choque com Sophie (Emma Stone), a cartomante, ela sempre usa roupas claras, soltas e também já modernas. Outro ponto interessante é como o novo se mistura com o velho. Seja pelo racional que é a cabeça de Stanely e por Sophie que mistura a crença no mundo holístico.   


Aos poucos, Stanley também começa acreditar em Sophie. Até que ele se rende a ela. Mas a racionalidade é mais forte nele, então novamente ele pensa nela como uma fraude. Então a razão de Stanley impera novamente, e quando vemos que ela realmente é uma fraude, o mundo na visão de Stanley nos trás o que ele vê da vida, um mundo maçante e cansativo. Mas uma “magia” ocorre que na  concepção do filme é o “amor” então os dois se apaixonam, essa metáfora para explicar o amor é muito interessante, principalmente para o final do filme.


Achei “Magia ao Luar” fofo ao abordar isso no final do filme, que independente da racionalidade ou da crença ambos estão sujeitos apaixonar. E nada é mais forte do que o amor seja pela química que despertar no nosso cérebro quando nos apaixonamos ou pelo destino.  Apesar do final previsível, o roteiro tem pontos de viradas interessantes. Ele ainda consegue nos cativar seja pelos atores super carismáticos, pela ótima fotografia ou também pela trilha sonora.  “Magia ao Luar” perde de longe de ser um ótimo filme como foi “Blue Jasmine” ano passado. Mas ainda sim é cativante e motivacional a sua maneira. Talvez Woody Allen esteja renovando sua crença na humanidade depois de se afundar em filmes do Bergman como foi seu começo de carreira, talvez ele parou de enxergar o mundo de Stanely e abraçou a irracionalidade de Sophie. 

Nota: