sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Crítica: Amantes (2008)

Nunca um filme foi tão verdadeiro ao mostrar as relações “homem e mulher”, e ainda mais expor os sentimentos de uma forma tão verdadeira e cruel. É incrível como a direção de James Gray consegue focar tanto na esperança como na dor de um amor. Facilmente conseguimos nos identificar com todos os personagens da trama. Como o homem dividido entre a certeza e atração, uma mulher insegura com ela mesma e se envolve em relacionamentos fracassados e outra que pede por socorro silenciosamente e se entrega a ele.

Quando disse que facilmente conseguimos nos identificar com a história, é porque quem nunca passou por uma “friendzone”? Mesmo vendo a pessoa que você ama se afundando em problemas você fica com ela em todos os momentos, jurando que aquela devoção cega um dia vai ser retribuída como amor verdadeiro. Mas no fundo sabemos que isso nunca vai acontecer. É o que Leonard (Joaquin Phoenix) passa e queremos ajudá-lo no filme todo, e quando ele conhece Sandra (Vinessa Shaw) e percebermos que ela é a mulher ideal para ele, ficamos felizes. Mas ao mesmo tempo com aparição de Michelle (Gwyneth Paltrow) ficamos meio abalados em relação aos próprios sentimentos de Leonard. Como disse facilmente nos vemos em tela e podemos nos identificar com a dor do personagem e todo aquilo que nos destrói por dentro. Como se não tivesse saída, e não podemos ver a felicidade na nossa frente.

A bela fotografia que Gray usa no filme ajuda a compor o cenário, e o uso das cores também, alias as cores é algo forte na filmografia do diretor. Desde “Os Donos da Noite” até “Amantes” as cores significa algo especial para os seus personagens.


O roteiro que conta com uma história até simples, de um homem que se vê perdido depois do rompimento com a sua noiva, e de como ele seguiu sua vida até as suas tentativas de suicídio. Assim no começo do filme vemos Leonard tentando se matar, mas algo o faz desistir. Os seus pais são donos de uma lavanderia assim ele tenta se desapegar daquele mundo parado, e ainda mais religioso já que eles são judeus. Na mesma noite em que ele tenta o suicídio ele conhece a bela Sandra, vemos que ele não é tão afim dela, mas ela é. No dia seguinte a vida de Leonard muda, ele conhece Michelle uma estranha mulher com quem ele de imediato se identifica e também se apaixona. Mas as verdades sobre a paixão é que um se apaixona, mas o outro não. Assim o vemos se afundando como disse no começo da crítica nos problemas de Michelle. E assim ele tenta de todas as formas seguir em frente, mas ela ainda mexe com ele.

O amor que Leonard sente é condizente tanto com seu lado patológico, ou seja, ele é distorcido. Não é condizente com a realidade. Mas será tão diferente a visão de um louco sobre o amor como a nossa?  Falam que morrer de amor é única forma aceitável de morrer e isso não é uma loucura? Acompanhar o ponto de vista nos olhos de Leonard é ver o mundo de uma forma cinza, e volto a repetir a importância das cores no filme. A forma com que ele lida com as promessas de Michelle é linda, já que sabemos que desde o começo elas não vão se realizar. E ao mesmo tempo o desespero e o alivio acompanham ele, o que é maravilhoso nas cenas finais do filme. Quando pensamos que Leonard vai tentar se matar novamente ele olha para uma luva que é preta, ou seja, o fim e vê algo brilhante nela. O simbolismo para a luz no fim do túnel. É claro que o limite poético da narrativa é rompido sempre, principalmente no ponto de vista dos personagens tanto da mãe de Leonard que é interpretado pela bela Isabela Rossellini, como por ele próprio que vê em Sandra, uma mulher desesperada. Leonard vê nela a chance de ser feliz, ou tentar se acostumar com aquela felicidade nunca alcançada.


Amantes, é um filme que você precisa ver de acordo com o seu estado de espírito. A parte técnica do filme como enquadramentos, direção de arte ou até mesmo atuação são sublimes, talvez seja um clássico contemporâneo das relações nunca alcançadas. Mas se você ver no estado de espírito destruído por alguma paixão, esse filme vai ser a melhor coisa que já assistiu. Mas te aviso que você vai sair pior do que entrou. Porque mais verdadeira que seja sua situação ela é apenas verdadeira, e a patologia independente do seu diagnostico é uma “O Amor dói”.


Nota:
 

             

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Crítica: Eu Sei Que Vou Te Amar (1986)

O amor é uma coisa estranha, e a prova disso são os filmes de Arnaldo Jabor onde ele aborda esse assunto. Um dos filmes mais aclamados da pornochanchada no qual ele dirigiu foi “Toda Nudez Será Castigada” onde ele conta como o amor encontra várias vertentes, desde um pai de família que se apaixona por uma prostitua e se casa com ela, e ao mesmo tempo ela se apaixona pelo seu enteado, no qual ele tem um bizarro caso com “O ladrão boliviano”. Como o próprio filme diz o amor não se explica, simplesmente sentimos.

Em 1986, Jabor escreveu e dirigiu “Eu Sei Que Vou Te Amar” que é uma forma de contar como o amor sobrevive mesmo com suas idas e vindas. A história fala sobre um casal que se separa e três meses depois e reencontra numa mansão para discutir o que aconteceu durante todo tempo de casado. Arnaldo Jabor é conhecido pela sua quebra de estrutura de roteiro, então ele não segue os caminhos normais da narrativa. A linguagem do filme lembra muito o “Acossado” do Godard, que usa a quebra da estrutura clássica e começa a contar outra história dentro do próprio filme. Mas a discussão lírica de “Eu Sei Que Vou Te Amar” é que da o charme a obra. O lirismo é uma abertura para mostrar um pouco do nonsense presente no filme também.


Fernanda Torres e Thales Pan Chacon são os divorciados que se encontram. O filme fala e abordam todos os aspectos da relação, que vai das brigas constantes, traições e as verdades que por mais estranhas que sejam eles falam sem rodeios. O dialogo do filme é muito bom, as tiradas do casal são incríveis. É impactante a química entre os dois, a combinação da estrutura do roteiro com os enquadramentos completa essa maestria do cinema nacional. As tensões sexuais do filme também é algo que da um ar diferenciado. Outro ponto são as obras de artes que enfeita a mansão, elas são um prato cheio para psicanalistas desvendarem ainda mais a “psique” do casal.

Apesar dos comentários de Jabor na televisão, que ele trás para o filme e causa certa “idiotice” para o papel de Thales Pan Chacon, o filme consegue se salva por ele mesmo que brinca com alguns tabus tanto do universo masculino como do feminino. Jabor apesar de falar muito “pepino” hoje em dia, é inegável sua qualidade como poeta e também como diretor.



O filme é um prato cheio de surpresas, ele mostra como o amor pode ser destruidor e ao mesmo tempo uma coisa doce que nos da esperança. Ele consegue captar os dois pontos na tela. Mas uma coisa eu garanto, você não vai terminar o filme sem algumas lagrimas e também indiferente sobre as relações tanto de casais, amigos ou familiares. Um excelente filme que merece ser visto como toda a filmografia de Arnaldo Jabor. 

Nota:

                             

sábado, 27 de dezembro de 2014

Os Melhores Lançamentos de 2014.. Top 10!

Final de ano é marcado por tradições, e para marcar essa data saiu à primeira lista de “top 10 de filmes lançados em 2014”

Se liguem ai...

Garota Exemplar
David Fincher é o diretor favorito da maioria dos cinéfilos, por causa de seus filmes mais cultuados como “Clube da Luta”, “Seven” e o excelente “Zodíaco”. Em seu novo filme que tem no elenco Ben Afleck, ele conseguiu montar uma boa história de conspiração, uma crítica a mídia americana e também da sociedade de forma geral. Um dos melhores filmes do ano que conta com a estréia da escritora do livro e que também escreveu o filme a estreante Gillian Flynn. Vale muito a pena assistir, principalmente para quem gosta de mistérios e ser surpreendido a cada cena.









The Skeleton Twins
Esse filme é um pouco complexo de se falar, ele foi dirigido pelo Craig Johson. Ele só tinha feito um filme em toda sua carreira que é o estranho “True Adolescents”. Mas em seu novo projeto que conta com a dupla de amigos e também Ex-SNL Kristen Wiig e Bill Hader, o filme conta a história de dois irmãos que crescem e perdem o contato, até que Harder tenta suicídio e Wiig o acolhe em sua casa. Assim eles refletem o passado, revisam a infância e escolhem o futuro. Um filme muito bonito que trata essa lealdade entre irmãos.









Rudderless
William H. Macy é um ator bem conhecido, ele fez alguns dos filmes mais legais do cinema como “Fargo” dos irmãos Coen, “Boogie Nights” e “Magnólia” ambos do Paul Thomas Anderson. Em Rudderless Macy dirigi, escreve e também produz o filme. Aqui ele conta a história de um pai que perde o filho num tiroteio na faculdade, nisso ele perde o emprego e se isola do mundo e vive de subempregos. Mas um dia sua ex-mulher trás as coisas do filho e ele descobre que ele era compositor. Assim ele começar a tocar as músicas do filho e aos poucos Sam (Bill Crudup) enfrenta a verdade sobre os eventos da faculdade e também começa a encarar a vida depois desse acidente.







Frank
Acho que tirando “Guardiões da Galáxia”, “Frank” é o filme mais nonsense nessa lista. Michael Fassbender faz um cantor excêntrico que usa máscara o tempo todo e tem uma banda, cujo os membros são mais estranhos que ele. Nisso ele parte para os E.U.A, mas o medo faz com que Frank entre numa paranoia. Assim ele se perde dele mesmo e da sua banda. O filme vale à pena, tanto pelo elenco que é excelente, como atuação do Fassbender  e a trilha sonora que é incrível. Um dos melhores do ano que vale estar nessa lista.









Hoje Eu Quero Voltar Sozinho
Baseado no curta que saiu em 2010, “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho” é uma bela história de amor, independência e também um trabalho contra o preconceito. Daniel Ribeiro que dirigi e também escreve o filme fez um excelente trabalho, tanto na direção geral como na direção dos atores que foi essencial. A equipe em si tem certo entrosamento que é raro se ver em alguns filmes nacionais. Para mim esse é o melhor filme nacional do ano.











Boyhood - Da Infância à Juventude
Richard Linklater é um visionário em termos de inovação de como contar um filme. Seja pela sua excelente trilogia do “Antes” que foi lançado sempre de 9 em 9 anos no qual acompanhamos a vida de um casal. A primeira vez que vi a trilogia achei a coisa mais incrível que pude assistir, porque as situações são tão reais, ou melhor, tentam ser. O novo projeto dele foi filmado ao longo de 12 anos e nisso podemos sim ver a realidade, os planos errados e a vida acontecendo. Para mim de longe um dos melhores filmes do ano e também o melhor de toda sua carreira.









Guardiões da Galáxia
Alguém achava que esse filme ia ser alguma coisa? Bom se você apostava, bem... Parabéns. Mas se você foi igual a mim, com certeza levamos um puta tapa na cara. Guardiões da Galáxia é o “MELHOR FILME DA MARVEL”. A direção é incrível, personagens, atores, roteiro e o que falar da trilha sonora? “Awesome MIX tape” é a melhor trilha de 2014.












Ela
Spike Jonze é um fofo! Sua criatividade é sem limites, acho que só se compara com Michel Gondry e Charlie Kaufman. Mas em “Ela” ele conseguiu trazer o tema relacionamento em outro patamar. Abordando várias coisas em uma só, como namoro a distancia que de certa forma é o que conta o filme e também o físico, em resumo ele diz que como os relacionamentos são difíceis e complexos não importa por quem você que apaixone. Um filme maravilhoso e que mereceu toda atenção no Oscar e na mídia esse ano.










The Grand Budapest hotel
Wes Anderson criou esse ano um dos filmes mais simpáticos e criativos de toda a sua carreira. Com o seu elenco de sempre que contam com Bill Murray, Jason Schwartzman e Owen Wilson como coadjuvantes, ele mudou um pouco e escalou como atores principais Ralph Fiennes, F. Murray Abraham e Tony Revolori. O filme é uma homenagem as produções da década de 20 e 30 e podemos ver isso nas cenas em que nos lembramos dos filmes de Chaplin até Buster Keaton, essa retrospectiva é maravilhosa e assim ele brinca tanto com a comédia como drama, sem falar na direção de arte que é maravilhosa.









Horns
Junto com guardiões esse filme foi uma surpresa. Apesar de ser baseado no livro de Joe Hill o filho de Stephen King, você fica com um pé atrás por causa do elenco e da história que é mais um romance bem dramático do que outra coisa. Mas o filme surpreende pela suas características pouco peculiares, como Ig (Daniel Radcliffe) vender a alma ao diabo para conseguir descobrir quem matou sua namorada e nisso ele ganha uma habilidade especial, fazer com que as pessoas digam a verdade sobre tudo. A direção fica por conta de Alexandre Aja, a trilha sonora é outro ponto alto, temos de David Bowie até Iggy Pop. E o desenvolvimento da trama é muito bem feito. Uma das melhores adaptações de livro desse ano. Ainda continua inédito no Brasil, mas um filme que vale muito a pena quando ele sair, se sair.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Crítica: Magia ao Luar (2014)

Talvez “Magia ao Luar” seja o filme mais pessoal de Woody Allen, depois claro de “Memórias” e “A Era do Rádio”. Digo isso porque ele coloca no mesmo quadro a crença e a racionalidade. Além dos roteiros incríveis que Allen consegue fazer, destaco também a ótima fotografia de Darius Khondji que já tinha trabalho com o Woody Allen em “Para Roma, com Amor” e o excelente “Meia-Noite em Paris”. Em ambos os filmes a fotografia se destaca. Mas em “Meia- Noite em Paris” é outra história. É incrível a beleza da paisagem parisiense se misturando com a época da “Belle-Époque”, que faz esse misto com  o novo e o velho,  e assim faz um visual policromático em que tudo se combina.

O filme conta a história de um mágico Stanley (Colin Firth) que mesmo vivendo das artes do mistério e do sobrenatural ele é crente e acredita que o mundo é horrível, com pessoas medíocres que vivem nele e a base de tudo é a racionalidade. Stanley está na sua ultima apresentação antes de entrar em férias e viajar com a sua noiva, mas um antigo colega de profissão faz uma visita e revela que uma “médium” está ganhando fortunas à custa de uma família rica. Ele chama Stanley para tentar desmascarar essa mulher, já que ele próprio começou acreditar nela.

As locações foram gravadas na Europa, e usou o ambiente dos anos 20, tiro destaque também para a caracterização de época que está perfeita, os detalhes dos vestidos e das roupas, revelam muito da característica dos personagens. Colocamos como exemplo Stanley, que sempre usa roupas listradas, com cores sempre num tom comum, seja no marrom ou o preto, que revela uma antipatia e também uma carência de felicidade até. O que entra em choque com Sophie (Emma Stone), a cartomante, ela sempre usa roupas claras, soltas e também já modernas. Outro ponto interessante é como o novo se mistura com o velho. Seja pelo racional que é a cabeça de Stanely e por Sophie que mistura a crença no mundo holístico.   


Aos poucos, Stanley também começa acreditar em Sophie. Até que ele se rende a ela. Mas a racionalidade é mais forte nele, então novamente ele pensa nela como uma fraude. Então a razão de Stanley impera novamente, e quando vemos que ela realmente é uma fraude, o mundo na visão de Stanley nos trás o que ele vê da vida, um mundo maçante e cansativo. Mas uma “magia” ocorre que na  concepção do filme é o “amor” então os dois se apaixonam, essa metáfora para explicar o amor é muito interessante, principalmente para o final do filme.


Achei “Magia ao Luar” fofo ao abordar isso no final do filme, que independente da racionalidade ou da crença ambos estão sujeitos apaixonar. E nada é mais forte do que o amor seja pela química que despertar no nosso cérebro quando nos apaixonamos ou pelo destino.  Apesar do final previsível, o roteiro tem pontos de viradas interessantes. Ele ainda consegue nos cativar seja pelos atores super carismáticos, pela ótima fotografia ou também pela trilha sonora.  “Magia ao Luar” perde de longe de ser um ótimo filme como foi “Blue Jasmine” ano passado. Mas ainda sim é cativante e motivacional a sua maneira. Talvez Woody Allen esteja renovando sua crença na humanidade depois de se afundar em filmes do Bergman como foi seu começo de carreira, talvez ele parou de enxergar o mundo de Stanely e abraçou a irracionalidade de Sophie. 

Nota: 


             

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Crítica: Babadook (2014)

“Babadook” é o típico filme que você vai se surpreender por suas camadas no roteiro e também pelo seu terror psicológico que é chocamente. A história principal é sobre uma mãe que perde seu marido quando ele está a levando para o hospital para dar a luz. Sete anos depois com o nascimento de Samuel (Noah Wiseman), ela não conseguiu superar nem a perda do marido e também de ser mãe solteira. Assim sua vida é uma loucura constantemente.

Amélia (Essie Davis) não consegue conciliar sua vida, assim a vemos aos poucos ficar consumida por algo negro e nefasto. Os problemas com Samuel só aumentam, quando ele tem problemas na escola e ela o tira de lá, sua vida só piora e o estresse também. Uma noite quando Amélia está lendo para o seu filho, ele acha um livro escrito “Babadook” e quando ela lê vemos que não é uma leitura comum, já que os livros contem algumas coisas bizarras e figuras assustadoras. Aquele livro impressiona Samuel que acredita que o monstro é real.

Aos poucos o medo de Samuel, vai tomando conta de Amélia que começa a ficar fora de si,  vê coisas em sua casa e barulhos a noite que a deixar sem dormir. O interessante de filmes com esse terror psicológico, como o próprio “Iluminado”, no qual aborda se aquilo que vemos é real ou apenas alucinação do personagem. Amélia está sofrendo um transtorno de personalidade e não saber lidar com o seu filho, aquele acúmulo de estresse e canseira faz com que ela libere o pior lado dela. É interessante esse ponto do “breaking bad” de quebrar literalmente para o lado ruim, e talvez o “Babadook” seja essa manifestação desse lado negro que ela tem, ou melhor, como todos nos temos e tentamos dominá-lo só que às vezes ele fica maior que nos. 


Os atores do filme são impressionantes. A estreante diretora e roteirista Jennifer Kent que só tinha feito um curta que chamado “Monster” que também aborda os mesmos elementos desse filme. Mas em “Babadook” ela consegue explorar melhor a temática entre mãe e filho e esse medo que toma conta deles. O filme impressiona tanto pela câmera e pelos efeitos quanto pelo roteiro que é muito bem explorado e os atores que são muito expressionistas. Principalmente Noah Wiseman que tem uns jeitos para atuação que impressiona. Se valorizarem o talento do garoto, não fico impressionado se daqui alguns anos não o virmos concorrendo algum premio da academia. Mas o filme tem os seus defeitos como a trama arrastada no segundo ato, onde a diretora poderia explorar mais os atores na primeira parte do filme e deixar o terror e suspense mais explícito na segunda parte.

O que mais me chamou atenção no filme é a psicologia usada na trama. O fato de Amélia derrotar o monstro simplesmente o enfrentando e vendo seus demônios de frente faz com que “Babadook” se esconda no porão da casa. Podemos interpretar o porão como a mente da personagem, assim ela o fica alimentando o seu medo invés de dominá-lo de vez. É interessante como a psicologia e interpretação muda o seu ponto de vista em relação ao filme e o aborda com outra ótica. “Babadook” é uma produção que você deve ter certo olhar crítico sobre ele, ver sua interpretação e aos poucos desvendando as camadas do filme. Só espero que a diretora Jennifer Kent faça mais filmes inteligentes de terror, porque é o falta para o mercado de hoje em dia e também para o amadurecimento para esse mercado consumidor, que deseja filmes onde eles não tem o esforço de pensar sobre a trama.

Nota:
 

          

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Crítica: Invasores de Corpos (1978)

É interessante como os filmes usam a linguagem da época para criar algo, seja por desastres econômicos, doenças ou violência. Os filmes flertam diretamente com a linguagem da época. Nesse caso podemos falar de Invasores de Corpos de 1978. O filme é um “remake” do clássico “Vampiros de Alma” do diretor Don Siegel. Nos anos 50 o filme falou sobre o perigo do comunismo se infiltrar dentro de uma sociedade e mudar todo o seu contexto. Já o "remake" trata da paranoia, medo e também de conspirações.

O filme começa de um jeito magnífico, explicando como essa ameaça chegou ao planeta Terra, uma explicação básica e até coerente. Na verdade são a base para a crença do começo da vida na terra, organismos entrando na atmosfera e anos de evolução.  Mas claro que a ficção faz sua parte e deixa as coisas mais divertidas. Mas é interessante como ele retrata a paranoia nos anos 70, tanto pelo movimento político da época, como o caso “Watergate”, derrubada de presidentes, a quebra de arquivo confidencial e claro, todo um mundo novo, com a descoberta da AIDS; enfim aquela aura do medo que ficou mais forte até hoje.

Com um elenco principal pequeno que conta com Donald Sutherland, Brooke Adams, Jeff Goldblum, Veronica Cartwright e Leonard Nimoy, a trama é bem feita e muda bastante do filme dos anos 50, deixando a ação mais explicita que combina com a produção. A direção de Philip Kaufman está sensacional. É muito bacana como ele monta o filme e deixa mais evidente esse tom da paranoia tanto coletiva como individual, de que tudo pode ser coisa da sua cabeça, mas no final revela-se uma invasão mesmo. Mas a montagem do filme é o que faz a trama, tanto com o som que é uma coisa que mistura o som diegético, ou seja, que está em cena como o não diégetico que está fora. Mas ao mesmo tempo é uma coisa crua e às vezes cruel que deixa um suspense antes mesmo de aparecer algo em tela para dar esse medo em você.


As atuações estão ótimas, tanto de Sutherland que faz um agente de saúde, que no começo não acredita no que está acontecendo, ou melhor, não acredita na paranoia coletiva, quanto a Brooke Adams que vê naquilo como um medo insistente que fica mais visível seu efeito nela. Mas o melhor papel fica mesmo com Sutherland e Leonard Nimoy. Nimoy que faz um famoso psiquiatra ajuda seus amigos a pensar que aquilo não passa de um estado de medo coletivo, mas depois vemos que ele é na verdade uma pessoa infectada e que está manipulando seus amigos. Acho que essa cena é fundamental ao mostrar que aquilo não tem escapatória e que na verdade não adianta fugir e que estamos condenados.

“Invasores de Corpos” é um filme conhecido por ter um final poderoso e marcante. Realmente é algo complexo se você for parar para pensar, como a vida está condenada e aquela sociedade utópica é um câncer que vai crescendo e crescendo. Mas é interessante pensar nos pontos que o filme leva, do tipo vale à pena ter uma vida melhor sem liberdade? Eu acho que a principal coisa que o filme coloca, liberdade e paranoia entram em choque. Realmente esse filme é incrível, mas é incrível ainda são as possibilidades de pensamento que o filme pode nos mostrar.  Podemos encaixar o filme com a nossa realidade, tanto mundial como nacional, principalmente na pós-eleição que tivemos esse ano.


Assistam “Invasores de Corpos” e vejam as camadas que o filme da para você desenvolver, ou melhor, desenrolar. Preste atenção no som do filme que é incrível e sua fotografia que é fenomenal e depois tire suas conclusões do que a nossa sociedade se formou principalmente no pós 11 de setembro.

Nota: