sábado, 13 de setembro de 2014

Crítica: A Mulher de Preto (2012)

Fazer um filme de terror hoje em dia não é fácil, como disse em criticas anteriores o terror está se tornando um gênero morto e muito mal aproveitado.
 A Mulher de Preto que é um “remake” de um filme para TV de 1989 produzida pelo lendário estúdio inglês “Hammer House of Horror” e que voltou recentemente ao mercado produzindo ótimos filmes como a versão americana de “Deixe Ela Entrar”. A “Hammer House” é conhecida pelo terror gótico e Clássico, que esse estilo apresenta. Podemos dizer também que é bem inglês no quesito de ser contestador a aristocracia e fazer criticas a posse, consumismo um pouco desenfreado e ao comodismo.

Essa nova versão não é diferente. A escolha de contratar Daniel Radcliffe (Harry Potter) para o papel principal do advogado Arthur Kipps. Que na versão original de 1989 foi interpreta pelo “Seu Pai” nos filmes da saga Harry Potter.
 A Historia começa em Londres apresentando a vida de Arthur ele tem um filho de 4 anos e perdeu sua mulher no parto do filho,vivendo nessa fase ainda da perda,ele fica na corda bamba no escritório de advocacia aonde trabalha. Ele viaja até uma pequena vila no interior de Londres para fazer um inventario sobre a venda de uma casa.

 O Filme é ambientado todo no final do Séc.XIX no interior da Inglaterra, aonde o ambiente cai como uma luva. E mostra a razão enfrentando o misticismo e até certo modo a crendice popular ser mais alta do que a razão e a lógica.
Kipps chega à mansão e não se incomoda com os avisos das pessoas locais de ir embora e esquecer da casa e a venda dela. Mas o comportamento lógico e racional de Kipps faz com que ele não leve esses avisos a sério. 


Ao investigar mais a fundo os mistérios que rondam a família. Cotterstock Hall que é a mansão onde metade do filme se passa é cercada de vários mistérios como quem é a Mulher de Preto e por que todas as crianças que moram no vilarejo morrem. O clima de tensão entre os moradores locais e Arthur é muito bem explorado você sente o medo e a insegurança das pessoas a cada evento novo ou pessoa nova. Arthur tem a ajuda de Mr. Bentley (Roger Allam) que parece ser a única pessoa racional no meio de todos, ele como o resto das pessoas também teve uma perda que foi de seu filho, a sua mulher Mrs. Daily (Janet McTeer) não teve a mesma sorte e acaba enlouquecendo e virando um fardo para Bentley, mas a questão da loucura e o racional são duas coisas que não se batem no gênero terror, até a pessoa mais racional pode se dar mal quando se tratam de falar de espíritos, demônios e maldiçoes. Talvez a maior crítica do filme a sociedade em geral seja que o homem racional, aristocrata e essa estagnação social tão pulsante estejam tirando o que eles têm que é a crença em algo que seja mais forte ou inexplicável que eles mesmos.
O Filme é bem trabalho no visual e na proposta de ser mais “Dark” visto pelo final do filme, que foi um final corajoso e digno da velha e boa forma da “Hammer”.


A Mulher de preto é um filme para ver pensando que aquele ator não é o Harry Potter, e que Daniel Radcliffe conseguiu sair daquele papel que fez a carreira dele, e se ele souber escolher bem os papeis, talvez consiga se revelar um excelente ator em um futuro próximo. 

Nota:



           

Crítica: In the Loop (2009)

Em “In the Loop” Armando Iannucci usa do melhor jeito de contar sobre os bastidores do poder, através do humor negro e desbocado. Ultimamente ele está envolvido na série da HBO “Veep” que é a versão americana de “The Thick of It”, onde conta novamente sobre os bastidores do poder de forma sátira. Em Veep se conta a historia de Selina Meyer (Julia Louis-Dreyfus) que é a vice-presidente dos Estados Unidos, ela tem uma pequena equipe que assessoria, que é pior equipe de todas. Eles são mesquinhos, sarcásticos e um pouco idiotas e essa comparação da série com o filme você percebe bem nos governos tanto americano como inglês.
No filme a trama começa contando um mal entendido que acontece com o Secretário Britânico de Estado para o Desenvolvimento Internacional. O ministro Simon Foster (Tom Hollander) que diz em uma entrevista na rádio que a guerra pode acontecer! Só que ele usa essa frase em outro contexto. E outro ministro vivido pelo genial Peter Capaldi, que na historia é o boca suja Malcolm Tucker, que toda hora tenta consertar o que Simon diz; por exemplo, quando eles vão para América conversar sobre o mal entendido, Simon dá uma entrevista falando que no momento eles estão “escalando uma montanha de conflitos”, só que na verdade não existe conflito nenhum. Malcolm vê isso na TV e diz a seguinte frase para Simon: “Climbing the mountain of conflict”? You sounded like a Nazi Julie Andrews! Esse comentário é soberbo e é uma sacada ótima de Iannucci para o roteiro. Enquanto a conferência está acontecendo em Washington, você percebe a clara diferença da cultura de lugares. Karen Clark (Mimi Kennedy) uma secretaria assistente para a diplomacia, tenta impedir de qualquer jeito a guerra e o General George Miller (James Gandolfini), insiste na ideia da guerra e vê em Simon um bode expiatório. Ele é jogado de um lado para outro.
A trama se salva pelo ótimo desempenho dos atores e da direção. Basicamente quem gosta de “Veep” ou até “Westing Wing” vai gostar muito do filme.

O conflito de informações erradas se intensifica quando documentos são expostos para a mídia; quando em uma reunião secreta entre os dois governos, um espião inglês infiltrado no governo americano, que tem o apelido de “Iceman” e a incompetência de Simon frente ao mandato.
Mas no meio dessa confusão toda, Malcom encontra uma saída para a crise no ministério inglês e consegue tirar todos os problemas de uma vez só, e claro nós divertindo com o seu linguajar. É incrível como cada palavrão que ele solta parece poesia, como ele diz para uma secretária:“Within your ‘purview’? Where do you think you are, some fucking regency costume drama? This is a government department, not some fucking Jane fucking Austen novel! Allow me to pop a jaunty little bonnet on your purview and ram it up your shitter with a lubricated horse cock!” É muito engraçado como no meio da sofisticação e aristocracia inglesa você vê pessoas como Simon e Malcom, que manipulam e falam mal a vontade de pessoas do próprio governo e das situações que estão vivendo.

Mas o filme merece ser visto. Faz tempo que não vemos um filme que fala do lado negro da política com tanta eficácia e inteligência.
Há pontos negativos no filme, como surgir sempre alguns elementos novos que fica um pouco confuso em um longa-metragem; mas seria mais bem explorada numa série. O filme lembra bastante “O Rato que Ruge” de Jack Arnold e “Dr.Fantástico” que foi dirigido por Stanley Kubrick.
Em 2010 ele ganhou o Oscar de melhor roteiro adaptado, por uma própria peça de Iannucci. Assistam para se divertir com um filme inteligente e sarcástico que não se via há muito tempo, e sinceramente os ingleses são muito bons em usar o humor para criticar várias situações do cotidiano. 
Nota: 


                                  

Crítica: Último Desejo (2013)

Nos últimos tempos James Franco se mostrou um ator muito versátil para todos os tipos de papeis no cinema desde comedia, drama, romance. Sem contar como escritor já que um de seus contos foi recentemente filmado por Gia Coppola neta de Francis Ford Coppola. O romance “Palo Alto” que recebeu vários elogios em festivais de filmes independentes. Superando até o filme de sua tia a poderosa Sofia Coppola, que infelizmente realizou um filme pouco impactante que é “Bling Ring”.
Mas Franco em seu novo filme, que ele mesmo dirige,atua e produz. É baseado na obra do escritor William Faulkner, o “Último Desejo” mostra uma família de fazendeiros no inicio dos anos 20, que perde a mãe, e saem numa cruzada para enterrá-la no lugar que ela deseja. A família mostra várias faces ao longo da jornada, mostrando um poço de segredos que ficam evidentes em algumas cenas, em outras só percebemos com o uso da metalinguagem. James Franco foi bem fiel ao livro e ficou inusitado o seu formato em tela, já que ele fica dividido o tempo todo, às vezes uma parte da tela mostra o que a família está fazendo e a outra fica livre tanto para voltar no passado, presente e também para mostrar depoimento dos familiares, amigos, parente e etc…
Darl Bundren (Franco) interpreta o irmão que é frio o tempo todo como todos da família, principalmente com o seu irmão Jewel (Logan Marshall-Green) que é o mais afastado e independente deles. Esse relacionamento é o conflito principal e não é solucionado, achei isso muito legal já que os dois não precisam chegar ao um acordo, e isso não interessa na historia.

Com a ótima atuação de Tim Blake Nelson que faz o pai da família, o filme faz de um simples fato uma jornada ao interior deles, como segredos de casamento e que irmãos às vezes são seus piores inimigos. Franco conseguiu captar o sentimento de cada um, e a narração ficou muito bem captada. Às vezes um pouco exagerada as ações de alguns personagens, principalmente de James Franco e Ahna O’Reilly que interpreta a única irmã da família, a historia dela poderia ser mais explorada. Ela esconde o tempo todo que está grávida e vai para a cidade para fazer um aborto, mas o médico faz um acordo com ela pedindo sexo em troca do aborto. Será que esse conflito não poderia ser mais bem explorado? Do que simplesmente deixar as intenções dos personagens jogadas. Achei um ponto perdido essa parte, e principalmente o final que poderia ser menos literal e colocar alguns pingos na historia da família.

Mas James Franco conseguiu ilustrar muito bem a obra de um grande autor que é William Faulkner. Franco tem mostrado grande competência em vários campos da arte e mostrando também uma excelente escolha de filmes para dirigir. Um mais alternativo do que outro e saindo bem dos padrões hollywoodianos. Coisa que pelo menos Franco nunca foi. 
Nota:  


             

Crítica: A Noite do Demônio (1957)

“versátil home vídeo” está lançando nesse mês uma coleção de “obras primas do terror” , uma boa coleção que traz grandes filmes. E um deles é “A Noite dos Demônios” de 1957, ele foi dirigido por Jacques Tourneur. O diretor cuja carreira está recheada de clássicos do terror e do suspense, sabe bem montar uma história envolvendo esses gêneros.
Baseado no livro de M.R. James chamado “Casting the Runes” e roteirizada por Charles Bennett que também escreveu o roteiro de outro clássico do suspense que é “O Homem que sabia demais.” O filme tem como sua principal “Plot” a razão e o misticismo. No qual a magia e as crendices imperam numa Inglaterra escura, fria e pouco amistosa.
A história acompanha o Dr. John Holden (Dana Andrews) um famoso psicólogo que se especializou em parapsicologia, o estudo do sobrenatural. Então ele viaja o mundo combatendo mitos e lendas. O filme todo se passa na Inglaterra, onde ele ia encontrar um amigo. Na verdade já sabemos que o misterioso existe, ou melhor, a magia. Já que o amigo de John o Prof. Harrington (Maurice Denham) é vitima de magia negra e um demônio aparece e o mata, mas a necropsia diz que ele morreu eletrocutado. Apesar de a produção ser excelente no filme, e os efeitos especiais também. Quando o demônio aparece, é incrível a qualidade colocada em cena, principalmente pela época e o desenvolvimento da tecnologia. Só que o mistério já é revelado nas primeiras partes, então não temos aquele conflito de “verdades”, do tipo se o que o protagonista está vendo é real ou coisa da cabeça dele mesmo. Senti falta desse conflito interno, que também poderia passar facilmente esse sentimento para o publico em geral.

A história se apóia muito na razão versus crendices. O Dr. John se apóia na razão e tenta ver aquilo tudo que se passa de uma forma mais racional possível. Apesar de vermos que a magia é real, chega a ser irritante algumas cenas em que ele tenta achar uma forma possível de ver aquele mundo usando outras formas para explicar os fenômenos. Um ponto positivo é atuação de Niall MacGinnis que faz o “bruxo” Julian Karswell, ele é a mente por trás de todo aquele mistério. Ele é o líder de um culto e elimina todas as pessoas que passam em sua frente. Mas sua interpretação e simpatia são tão poderoso nesse filme, que o deixa acessível e ao mesmo tempo perigoso.
Uma curiosidade sobre “A Noite dos Demônios” é que Sam Raimi o usou como base para o seu filme “Arraste-me para o Inferno”. Basicamente toda a mitologia é copiada. No filme de 1957, Karswell só consegue eliminar alguém quando ele passa um pergaminho para a pessoa e ela em posse do papel é morta pelo demônio em três dias. No filme do Sam Raimi é a mesma coisa, até a ultima cena é parecida, quando se tem a morte na estão de trem. O filme se diferencia nas partes técnicas. Jacques Tourneur soube muito bem usar os enquadramentos e também a luz do cenário para criar um ambiente de medo e suspense, tanto com o “Plongée” e o “contra-plongée” e também com “planos fechados” para criar climas claustrofóbicos com os seus personagens.

Mas voltando a história, é bem interessante o suspense com o terror, e os efeitos especiais, que realmente o deixa com mais qualidade possível. E também pelo ano, já que filmes com temática de ficção cientifica estava mais em moda como o ótimo “Planeta Proibido”. Mas a “Noite dos Demônios” realmente surpreende. Apesar de algumas falhas de roteiro e de direção, como condução de cena e também dos atores. O filme consegue se manter até o final, com o terror e o suspense. Realmente um filme imperdível para quem é fã de terror e uma edição sublime para quem é colecionador de filmes em geral. E também para quem é fã desse diretor que dirigiu excelentes filmes de terror.
Nota:


                                

Crítica: Estranhos no Paraíso (1984)

Falar do cinema independente americano é falar de Jim Jarmusch um símbolo maior desse movimento, com filmes pouco eventuais e pulando de tema para tema, ele consegue concentrar ótimos roteiros e também uma excelente direção que poucos diretores conseguem. O interessante de Jarmusch é como ele altera os temas dos seus filmes, desde samurais modernos, vampiros em crise de personalidade até um estranho de meia idade tentando achar seu filho.
Um dos seus primeiros filmes foi o excelente “Estranhos no Paraíso”, lançado em 1984 ele foi pensado primeiro como um curta-metragem, mas vendo algumas sobras de negativo ele decidiu transformar em um longa-metragem, coisa que já fez também com outro excelente filme que é “Sobre Cafés e Cigarros” de 2003.
Jarmusch apesar de ter estudado cinema em “Nova York, ele se inspira em diretores europeus e asiáticos, como o próprio BergmanOzu e Kurosawa. Principalmente a estética adotada nesse filme que é bem parecida com a de Bergman, ao retratar o espaço vazio que cerca os seus personagens e combina com as personalidades deles que são eufóricas, perdidas e até banais em certos momentos. Uma coisa muito legal e que ele usa basicamente em todos os seus filmes é trilha sonora pouco convencional e também o fato de ser um som diegética, e poucas vezes a trilha não é incidental.
A história acompanha a vida de Willie (John Lurie) um malandro húngaro que mora em Nova York, mas rejeita sua descendência e assim não liga pelo tédio em que vive. Não tendo um emprego fixo, ele sobrevive de apostas de cavalos e trapaceando no pôquer para ganhar algum dinheiro. Um dia ele recebe a visita da sua prima que chegou da Hungria e vai passar alguns dias com ele, os dois parecem se encaixar já que ela também não liga para o tédio na vida de Willie e mesmo querendo ou não vive só no apartamento do primo. Eva (Eszter Balint) depois de um tempo vai morar com a tia em outra cidade.

O filme tem vários cortes, que aceleram o seu tempo, ou até algumas situações. Nisso se passa um ano e vemos que a vida de Willie continua a mesma coisa. Mas então ele consegue algum dinheiro trapaceando no jogo e junto com o seu amigo Eddie (Richard Edson) eles resolvem fazer uma viagem de carro. Willie, então decidi ir visitar sua prima. Assim eles partem até a cidade onde ela está. Quando eles chegam na cidade, rapidamente eles mudam de idéia e mudam de rumo e querem ir para Flórida, e assim voltam e pegam Eva e partem novamente. O roteiro talvez se prejudique nisso pela própria personalidade dos personagens que são inquietas e não sabemos o que eles vão fazer, e assim é realmente uma surpresa qualquer reação deles em tela.

Com um final desencontrado entre os personagens é interessante como se aborda tudo. Primeiro temos Eva que “ganha” uma grana e decidi ir para Europa, mas também fica perdida entre viver na América ou voltar ao seu País, ou até Willie que apesar de aparentar ser uma pessoa difícil, tenta buscar sua prima no aeroporto, mas quem acaba embarcando para o seu lugar de origem é ele mesmo, então Willie embarca para a Hungria, Eddie volta para Nova York. Então é normal vermos essa realidade desencontrada em seu filme, onde todos tomam um caminho diferente, mas acabam no tédio. É como uma frase que Eddie fala quando chegam à cidade onde Eva está. Ele diz: – Você vai para um lugar novo, mas tudo parece igual. E de um jeito debochado, ou até para não pensar na sua situação de vida Willie responde ironicamente, “É mesmo Eddie?”. É engraçado ver como eles são pessoas que conseguem ter grandes reflexões da vida só com olhar, mas ao se expressarem nunca dizem alguma coisa boa. 
Nota: 


             

Crítica: Feitiço do Tempo (1993)

O roteiro de “Feitiço do Tempo” é uma das histórias mais legais que surgiu no cinema de longe e com uma premissa simples de um homem que fica voltando sempre no mesmo dia, e sem saber o do porque isso acontecer, essa temática realmente é fascinante.
O filme foi escrito e dirigido por Harold Ramis que infelizmente faleceu esse ano e que também deixou um legado enorme de filmes clássicos dos anos 80 e divinas comédias como o próprio “Feitiço do Tempo”, “Caça Fantasmas” e “Férias Frustradas” que independente do tempo que você assista, sempre vai te animar ou revelar alguma piada nova ou escondida, mesmo que seja datado os filmes de Ramis são excelentes.
O conceito de viagem no tempo é engraçado nesse filme, porque ele simplesmente esquece que está voltando sempre no mesmo dia e começa aproveitar a os benefícios disso, coisa que séria impossível em outros filmes que abordam isso como uma coisa dramática e séria. Deu uma boa revigorada no tema de ficção.
Bill Murray faz o egocêntrico repórter do tempo Phill, ele cobre “o dia da marmota” uma tradição de uma cidade do interior que diz se a marmota sair da toca quer dizer que teremos verão, se não o inverno continuara. Uma tradição boba, mas que diverte e atrai curiosos, assim ele vai cobrir esse evento junto com o seu câmera e a produtora Rita (Andie MacDowell). Phill, da uma aula de como ser uma pessoa terrível e mal educada com todos, mas um dia que ele passa no hotel onde estava se repete. O legal do filme como já tinha dito é como ele não explica o do porque Phill voltar no tempo, simplesmente acontece e ele fica voltando e voltando.
O filme poderia ser tedioso, e até fica em algumas partes, mas facilmente esse obstáculo é ultrapassado graças a Bill Murray, que tem uma atuação excelente e também um “timing” para comédia que é ótimo, as expressões dele no filme em certos momentos são hilárias e melhor do que qualquer piada. No começo Phill fica confuso com o que está acontecendo, mas aos poucos ele percebe que pode aproveitar dessa situação. Assim ele primeiramente começa aprontar com todos na cidade, desde dar em cima de várias mulheres, as conhecendo bem e depois no outro dia usar isso como um ponto para seduzi-las, ele tenta fazer isso com Rita e o tiro sai pela culatra quando ele se vê apaixonado por ela.

Outro ponto é como a filosofia de viajar no tempo é abordada que mesmo que você tenha poderes quase infinitos, que é o caso de Phill no filme, quando ele se acha um “deus”, nem mesmo a morte pode ser controlada. Nisso ressalto uma das cenas mais legais e emocionantes do filme é quando ele tenta evitar a morte de um morador de rua, e mesmo voltando sempre no tempo é impossível evitar o inevitável, assim Phill aprende uma lição na vida que nada é para sempre e as coisas são passageiras. Mais e mais que ele vai se aproximando de Rita, Phill sente uma mudança interna e assim, as coisas ao seu redor também começam a mudar, sendo assim ele vira o “herói” da cidade que vai de resgatar senhoras indefesas, até ajudar pessoas que estão prestes a sofrer algum acidente. Assim ele começa a se mudar por fora e aceitando que o mundo é mais que o seu umbigo.
A história apesar de simplista tem um fundo mais delicado e filosófico do que se imagina. Com uma intensa carga dramática, e se você for pensando e analisando bem o filme consegue ser bem mais sombrio apesar de ser uma “comédia”. A ideia de você ficar preso sempre numa situação intensa e mundana é apavorante. O filme também apresenta algumas idéias delicadas sobre a morte, como de Phill tentar se matar, várias vezes e sempre voltar ao mesmo lugar. É apavorante se você for pensar bem como o filme se apresenta e a realidade do personagem principal.

A mensagem final do filme é uma fala que Phill diz quando acorda, e Rita ainda continua ao seu lado mesmo passando a noite com ele. Quando Phill percebe que não voltou no tempo, ele diz: “Mudanças são boas”. E isso é a mensagem final do filme, e a mensagem final do antigo Phill a ele mesmo. Ele abandou o que cercava em sua vida, como só pensar em dinheiro ou também ter um ego enorme e colocar sua vontade na frente de todos. Podemos dizer que ele finalmente aproveitou as coisas boas da vida e começou aproveitá-las e teve que ser um trauma, ou melhor, uma anomalia no tempo para ele ver isso, mas bem, antes tarde do que nunca não?
Um filme excelente que apresenta uma comédia muito gostosa de assistir, que é difícil de encontrar hoje em dia a não ser em filmes mais independentes. E também todo o talento de Bill Murray que está realmente fantástico no filme e consegue nos fazer rir só com os seus olhares às vezes irônicos, ou até idiotas mesmo. É uma pena Harold Ramis ter partido tão cedo, ele sabia fazer comédias que faziam rir e apresentava roteiros profundos que precisavam ter certo grau de inteligência para ver isso. “Feitiço do Tempo” é um filme que merece ser revisto e revisto, revisto sempre…
(Se voltar no tempo e ler isso, minha cor favorita é azul.) 
Nota:
          

Crítica: A Conversação (1974)

Os anos 70 para o cinema foi conhecido como a “Nova Hollywood” onde surgiram mestres do cinema como o próprio CoppolaMartin ScorseseGeorge LucasBrian De PalmaWilliam FriedkinSteven Spierlberg e Michael Cimino. Ambos os diretores usavam como principal influencia o cinema europeu mais o “neo-realismo italiano” que fica claro nas obras de CoppolaScorseseDe Palma entre outros. A experimentação é outro ponto que fica mais clara com a edição, como a câmera, roteiro e o som.
A história por trás desses diretores nos anos 70 é incrível. Graças a eles temos o que o cinema tem hoje, seja com histórias de aventuras com a ficção não sendo um gênero “B” e sim “A” que é o caso de “E.T” e até “Contatos Imediatos do Terceiro Grau” ambos de Spielberg, ou também filmes de gângster que diretores como Scorsese Coppola revolucionaram o gênero com “O Poderoso Chefão” que é um dos melhores filmes já feitos de todos os tempos. Ou até o cinema “noir” que é o caso de “Taxi Driver” que apresenta esses elementos, mas não segue a característica perfeita para ser considerado um “noir” clássico.
Um dos filmes que também surgiram com tudo era o cinema de espionagem, mas sendo mais um fato histórico, que contribui para o gênero, graças à época tanto pela guerra fria que se “encerrou”, mas com algumas crises capitalistas fizeram a união soviética virar uma potencia, o escândalo de Watergate, crise no petróleo por causa da guerra do “Yom Kippur” e etc…
Bem o filme “A Conversação” podemos tratar como algo distinto disso, mesmo apresentando um cenário político do medo, onde tudo que você fazia poderia voltar contra você. Coppola nos apresenta uma história muito bem desenvolvida de um homem misterioso que trabalha como detetive particular e vive solitário e com suas regras, o interessante na história é como acompanhamos Harry Caul (Gene Hackman) na sua vida, mas ao mesmo tempo não sabemos nada dele, sós sugestões do que foi seu passado.

O plano inicial do filme é maravilhoso, Coppola usa um grande plano geral, no qual não sabemos quem acompanhar no filme, mesmo sabendo que Hackman é o ator principal, ficamos perdido e quando a câmera foca nele, rapidamente ela sai e começa acompanhar um casal. Logo sabemos que esse casal está sendo monitorado e as conversas gravadas, depois dessa apresentação inicial Harry, nos mostra a sua vida de segredos e até medo. O ritmo inicial do filme é de certa forma bem desgastante, talvez por mostrar como a vida dele seja sempre certa e com uma rotina, mas com o filme crescendo, até virar um grande filme de espionagem ele consegue mudar o ritmo e alterar algumas coisas no filme.
Coppola escreveu, dirigiu o produziu o “A Conversação”, isso deu grande liberdade para ele fazer as “experimentações” que ele tanto gosta. Coisa que fica mais evidente na década de 80 com “Vidas sem Rumo” e o máximo que é “O Selvagem da Motocicleta”. O filme em alguns instantes quer apresentar certa paranóia que Harry diz ter como o de ser seguido, mas vemos isso só em um instante no filme, então é difícil ver com o que ele está sofrendo e de certa forma ser tão descuidado em certos pontos. Talvez a regra máxima nesse tipo de serviço deva ser “Não se envolva”, mas Harry faz ao contrario e se envolve em tudo. Tentando salvar o casal que ele investiga que mais tarde descobrimos que a mulher é casada com um poderoso empresário, fazendo com que Harry fique cego e tente proteger eles do empresário.

O uso de planos próximos para causar a claustrofobia que o personagem passa em uma cena onde ele investiga novamente o casal em um quarto de hotel é realmente incrível, principalmente pelos efeitos de edição que lembrou muito o “giallo” (gênero de suspense italiano), principalmente com as cenas de sangue, e o mistério do sobrenatural naquela cena. Quando Harry fica com peso na consciência pensando que entregou, ou melhor, deu motivos para a morte do casal, ele tenta falar com o empresário e na ultima cena, descobrimos a verdade, e vemos toda a criatividade narrativa de Coppola em frente ao roteiro, só com os olhares de Harry e com ele encaixando aquele quebra-cabeça em sua mente, descobrimos que a mulher e o amante fizeram uma trama muito maior para que na verdade o empresário, marido dela seja assassinado no quarto de hotel onde eles se marcaram de se encontrar. Isso é um verdadeiro “plot twist” e bem encaixado não só no filme, ou pelo trabalho de Harry como pelo clima político e social onde tudo era disfarçado e nada era o que parecia ser.
Uma pena que “A Conversação” seja um dos filmes menores na carreira de Coppola, já que no mesmo ano de 1974 ele lançou a continuação de “O Poderoso Chefão” que ganhou quase todas as categorias em que participou no Oscar. É interessante investigar a filmografia dele e ver seus ótimos filmes, tanto os maiores como os menores. Sempre descobrimos alguma coisa a mais tanto na sua personalidade como na cunha criativa. E mostrando que Francis Ford Coppola é um mestre do cinema e sempre será. 
Nota: