quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Crítica: O Mestre (2012)

Paul Thomas Anderson é um gênio e isso é inegável, e ainda mais falar de um assunto tão polêmico que é a religião, mas em tempos modernos e se tratando dos Estados Unidos, estamos falando da “Cientologia” uma religião criada nos anos 50 pelo roteirista L.Ron Hubbard, que acredita que viemos do espaço fugindo de um alien. Realmente a origem da cientologia não tem importância, “South Park” já fez um episodio falando disso que se intitula “Tom Cruise saia do armário”, como prova que um simples desenho causou tanta polêmica, que um dos personagens principais saiu da série e ainda eles receberam tantos processos e pressões que tiveram que parar o desenho por um tempo. Com “O Mestre” não foi diferente; O filme foi mal nas bilheterias, teve pouca publicidade em torno dele e o diretor Paul Thomas Anderson ficou de fora do Oscar e não concorreu a melhor diretor e nem a melhor filme. Mas tudo bem outro gênio do cinema Stanley Kubrick nunca ganhou um Oscar e vai me dizer que ele é menos espetacular por causa disso.

O filme não ataca diretamente a cientologia, mas não escapa das críticas e de ser taxado como uma seita que está ali só para ganhar dinheiro e enganar as pessoas, “A Causa” que é usado como se fosse uma bíblia é escrita pelo líder da seita Lancaster Dodd (Philip Seymour Hoffman) Ele é quem move a trama para frente. Hoffman está brilhante como o mestre, ele é confuso, misterioso e você não consegue definir bem sua personalidade que é sempre controlada e uma vez ou outra ele explode. O interessante em Lancaster é que você não sabe se tudo aquilo é picaretagem ou ele realmente acredita que está fazendo o bem para as pessoas, e ainda propaga a filosofia da “Causa”. E no outro lado tem sua esposa à sensacional Amy Adams que está ótima no papel.
Ela vive a esposa de Lancaster, Amy é bem diferente do marido, ela é controladora e sinceramente a verdadeira “mestre”. Em uma cena em que Lancaster está trabalhando em sua maquina de escrever, ela fala com ele como se desse ordens, e diz sobre como a causa precisa triunfar e como devemos destruir as pessoas que não acreditam nela. O interessante na cena é de como Hoffman trabalha abaixado como se tivesse realmente recebendo ordens e Peggy Dodd (Adams) não fica na frente dele conversando ela fica atrás, e ele só ouve e não reage por que ele sabe de como sua mulher está certa. Peggy é controladora e deseja o poder, mesmo às pessoas que estão dentro da “causa” se atrapalharem o andamento da seita ela tira eles de cena é o que ela faz com Freddie Quell (Joaquin Phoenix) um cara que tem vários problemas tanto mentais como sexuais, e Peggy vê nele um problema.


Joaquin Phoenix da vida a Freddie, que está assustador, uma atuação arrasadora. Ele vive um ex-marinheiro que logo que acaba a guerra ele se vê em um mundo cheio de oportunidades, mas ele não sabe aonde seguir e isso faz com que ele pule de empregos e de cidades. Você nunca sabe sua reação ou o que ele está pensando no momento, ele simplesmente fica lá. O único trabalho que ele repete novamente no filme é de fotografo. Penso que ele tem essa profissão talvez para se sentir mais próximo das pessoas ou querer ser elas. Freddie tem problema com a raiva como é visto na melhor cena em que fica preso na cadeia junto com Lancaster. Ele simplesmente pira e o estado em que ele fica da ainda mais impacto ao seu personagem. Freddie é meio corcunda e se apóia com as mãos nos joelhos seu rosto é paralisado e ele move poucos os lábios só o canto direito que deixa ainda mais difícil entender o que ele está dizendo. Ele também é bem perturbado e suas emoções são confusas para ele mesmo, em duas cenas que todos do culto estão cantando e dançando ele simplesmente vê todas as mulheres peladas e a câmera acompanha normalmente como se você tivesse no ponto de vista de Freddie, simplesmente brilhante, em outra cena é quando ele está no cinema e tem uma visão que Lancaster conversa com ele e diz o que ele deve fazer. Talvez essa “visão” comprove a eficácia do culto, antes de Freddie conseguir se livrar totalmente desse lado doentio que ele tem, Lancaster propõe para alguns um teste e em outra sacada genial do roteiro e da brilhante inteligência de Paul Thomas Anderson em volta da psique humana. Você também não sabe se o que Lancaster faz com os testes é um controle mental sobre as pessoas ou ele quer ajudar Freddie, mas a sua personalidade o deixa a desejar sobre os métodos de Lancaster o faz o mestre falhar sempre. Em um exercício de confiança que é proposto pelo “mestre” aonde Lancaster vai até certo ponto, mas volta, Freddie faz à mesma coisa e simplesmente vai embora. Mas voltando ao comentário do cinema, essa é a maior eficácia da lavagem cerebral a pessoa não consegue ficar longe de seu mestre e volta para ele.   


Joaquin Phoenix se mostra uma pessoa imprevisível e mesmo toda a lavagem cerebral não consegue tirar esse lado dele, outra curiosidade, é de como ele mistura suas bebidas usando óleo de motor, tiner e outros ingredientes poucos ortodoxos e isso deixa uma áurea ainda mais sombria sobre ele.


Freddie Quell é uma pessoa que você vê que ele não tem futuro. Ele simplesmente está lá, ele não sabe o que faz ou o que diz ou como se situa em cada situação, ele simplesmente vive o momento sem se preocupar com as conseqüências de seus atos. Vejo também essa situação de Freddie como os Estados Unidos estão vivendo no momento. Eles acabaram de sair de uma guerra superaram uma crise econômica que era de 1929 e vê uma grande economia ressurgindo. Talvez esses anos de 20/30 que foram difíceis para o povo americano se agravem ainda mais pelo fato que Freddie é um ex-soldado e acabou de voltar da guerra, que vai ser um problema enfrentado novamente com os jovens que voltavam do Vietnã. Mas o fato dele parecer com a América é que mesmo superando uma crise e uma guerra, os cidadãos se vêm perdido e mesmo com uma grande chance que está vindo que é o “american way of life” essa grande oportunidade mostra também uma grande falta de mão-de-obra. E isso é uma conseqüência também do por que “A causa” conseguiu ser tão popular nos anos 50, eles prometiam coisas como uma vida melhor, alegria eterna e outras promessas para chamar o publico. Como religiões que fazem iguais, tanto à católica ou a que está mais evidente é a evangélica que pode ser considerado a cientologia da América do sul, eles fazem lavagem cerebral, prometem felicidade eterna e ainda fica com o seu dinheiro e se você fala mal deles você é simplesmente destruído ou é taxado como intolerante.

O Mestre é um excelente filme sem duvidas e não esperava menos de um gênio que é Paul Thomas Anderson que tem em seu currículo filmes como Jogada de Risco, Boogie Nights, Magnólia, Embriagado de Amor e Sangue Negro. O diretor demorou 5 anos para lançar “O Mestre” e sinceramente não ligo para o tempo desde que ele lance sempre essas obras primas. Paul Thomas Anderson já é um dos diretores mais geniais e originais da atualidade.

E sem contar com a brilhante trilha sonora de Jonny Greenwood que faz um excelente trabalho tanto na parte instrumental como na vocal que da um ar místico a obra e deixa todos os elementos certos. Às vezes um pouco confusa para elementos que não precisa de ação ou outras quando o personagem necessita ou no caso o publico para se sentir um pouco dentro da ação e dentro da cabeça de Freddie. Mas é uma surpresa agradável ter ela no filme.

O filme pode ser cansativo para algumas pessoas, talvez por não entenderem, por achar difícil ou não entender a linguagem do diretor que muda bastante de um filme para outro. Coloco “O Mestre” no altar de “2001 – Uma Odisséia no Espaço”, mesmo um filme que trata de religião e outro que se afasta completamente dela, os dois são complexos e bem estruturados, uma obra-prima que vale ver, rever, rever, rever e lembre-se: Se piscar volte para o inicio.

 Nota:


          

sábado, 13 de setembro de 2014

Crítica: A Mulher de Preto (2012)

Fazer um filme de terror hoje em dia não é fácil, como disse em criticas anteriores o terror está se tornando um gênero morto e muito mal aproveitado.
 A Mulher de Preto que é um “remake” de um filme para TV de 1989 produzida pelo lendário estúdio inglês “Hammer House of Horror” e que voltou recentemente ao mercado produzindo ótimos filmes como a versão americana de “Deixe Ela Entrar”. A “Hammer House” é conhecida pelo terror gótico e Clássico, que esse estilo apresenta. Podemos dizer também que é bem inglês no quesito de ser contestador a aristocracia e fazer criticas a posse, consumismo um pouco desenfreado e ao comodismo.

Essa nova versão não é diferente. A escolha de contratar Daniel Radcliffe (Harry Potter) para o papel principal do advogado Arthur Kipps. Que na versão original de 1989 foi interpreta pelo “Seu Pai” nos filmes da saga Harry Potter.
 A Historia começa em Londres apresentando a vida de Arthur ele tem um filho de 4 anos e perdeu sua mulher no parto do filho,vivendo nessa fase ainda da perda,ele fica na corda bamba no escritório de advocacia aonde trabalha. Ele viaja até uma pequena vila no interior de Londres para fazer um inventario sobre a venda de uma casa.

 O Filme é ambientado todo no final do Séc.XIX no interior da Inglaterra, aonde o ambiente cai como uma luva. E mostra a razão enfrentando o misticismo e até certo modo a crendice popular ser mais alta do que a razão e a lógica.
Kipps chega à mansão e não se incomoda com os avisos das pessoas locais de ir embora e esquecer da casa e a venda dela. Mas o comportamento lógico e racional de Kipps faz com que ele não leve esses avisos a sério. 


Ao investigar mais a fundo os mistérios que rondam a família. Cotterstock Hall que é a mansão onde metade do filme se passa é cercada de vários mistérios como quem é a Mulher de Preto e por que todas as crianças que moram no vilarejo morrem. O clima de tensão entre os moradores locais e Arthur é muito bem explorado você sente o medo e a insegurança das pessoas a cada evento novo ou pessoa nova. Arthur tem a ajuda de Mr. Bentley (Roger Allam) que parece ser a única pessoa racional no meio de todos, ele como o resto das pessoas também teve uma perda que foi de seu filho, a sua mulher Mrs. Daily (Janet McTeer) não teve a mesma sorte e acaba enlouquecendo e virando um fardo para Bentley, mas a questão da loucura e o racional são duas coisas que não se batem no gênero terror, até a pessoa mais racional pode se dar mal quando se tratam de falar de espíritos, demônios e maldiçoes. Talvez a maior crítica do filme a sociedade em geral seja que o homem racional, aristocrata e essa estagnação social tão pulsante estejam tirando o que eles têm que é a crença em algo que seja mais forte ou inexplicável que eles mesmos.
O Filme é bem trabalho no visual e na proposta de ser mais “Dark” visto pelo final do filme, que foi um final corajoso e digno da velha e boa forma da “Hammer”.


A Mulher de preto é um filme para ver pensando que aquele ator não é o Harry Potter, e que Daniel Radcliffe conseguiu sair daquele papel que fez a carreira dele, e se ele souber escolher bem os papeis, talvez consiga se revelar um excelente ator em um futuro próximo. 

Nota:



           

Crítica: In the Loop (2009)

Em “In the Loop” Armando Iannucci usa do melhor jeito de contar sobre os bastidores do poder, através do humor negro e desbocado. Ultimamente ele está envolvido na série da HBO “Veep” que é a versão americana de “The Thick of It”, onde conta novamente sobre os bastidores do poder de forma sátira. Em Veep se conta a historia de Selina Meyer (Julia Louis-Dreyfus) que é a vice-presidente dos Estados Unidos, ela tem uma pequena equipe que assessoria, que é pior equipe de todas. Eles são mesquinhos, sarcásticos e um pouco idiotas e essa comparação da série com o filme você percebe bem nos governos tanto americano como inglês.
No filme a trama começa contando um mal entendido que acontece com o Secretário Britânico de Estado para o Desenvolvimento Internacional. O ministro Simon Foster (Tom Hollander) que diz em uma entrevista na rádio que a guerra pode acontecer! Só que ele usa essa frase em outro contexto. E outro ministro vivido pelo genial Peter Capaldi, que na historia é o boca suja Malcolm Tucker, que toda hora tenta consertar o que Simon diz; por exemplo, quando eles vão para América conversar sobre o mal entendido, Simon dá uma entrevista falando que no momento eles estão “escalando uma montanha de conflitos”, só que na verdade não existe conflito nenhum. Malcolm vê isso na TV e diz a seguinte frase para Simon: “Climbing the mountain of conflict”? You sounded like a Nazi Julie Andrews! Esse comentário é soberbo e é uma sacada ótima de Iannucci para o roteiro. Enquanto a conferência está acontecendo em Washington, você percebe a clara diferença da cultura de lugares. Karen Clark (Mimi Kennedy) uma secretaria assistente para a diplomacia, tenta impedir de qualquer jeito a guerra e o General George Miller (James Gandolfini), insiste na ideia da guerra e vê em Simon um bode expiatório. Ele é jogado de um lado para outro.
A trama se salva pelo ótimo desempenho dos atores e da direção. Basicamente quem gosta de “Veep” ou até “Westing Wing” vai gostar muito do filme.

O conflito de informações erradas se intensifica quando documentos são expostos para a mídia; quando em uma reunião secreta entre os dois governos, um espião inglês infiltrado no governo americano, que tem o apelido de “Iceman” e a incompetência de Simon frente ao mandato.
Mas no meio dessa confusão toda, Malcom encontra uma saída para a crise no ministério inglês e consegue tirar todos os problemas de uma vez só, e claro nós divertindo com o seu linguajar. É incrível como cada palavrão que ele solta parece poesia, como ele diz para uma secretária:“Within your ‘purview’? Where do you think you are, some fucking regency costume drama? This is a government department, not some fucking Jane fucking Austen novel! Allow me to pop a jaunty little bonnet on your purview and ram it up your shitter with a lubricated horse cock!” É muito engraçado como no meio da sofisticação e aristocracia inglesa você vê pessoas como Simon e Malcom, que manipulam e falam mal a vontade de pessoas do próprio governo e das situações que estão vivendo.

Mas o filme merece ser visto. Faz tempo que não vemos um filme que fala do lado negro da política com tanta eficácia e inteligência.
Há pontos negativos no filme, como surgir sempre alguns elementos novos que fica um pouco confuso em um longa-metragem; mas seria mais bem explorada numa série. O filme lembra bastante “O Rato que Ruge” de Jack Arnold e “Dr.Fantástico” que foi dirigido por Stanley Kubrick.
Em 2010 ele ganhou o Oscar de melhor roteiro adaptado, por uma própria peça de Iannucci. Assistam para se divertir com um filme inteligente e sarcástico que não se via há muito tempo, e sinceramente os ingleses são muito bons em usar o humor para criticar várias situações do cotidiano. 
Nota: 


                                  

Crítica: Último Desejo (2013)

Nos últimos tempos James Franco se mostrou um ator muito versátil para todos os tipos de papeis no cinema desde comedia, drama, romance. Sem contar como escritor já que um de seus contos foi recentemente filmado por Gia Coppola neta de Francis Ford Coppola. O romance “Palo Alto” que recebeu vários elogios em festivais de filmes independentes. Superando até o filme de sua tia a poderosa Sofia Coppola, que infelizmente realizou um filme pouco impactante que é “Bling Ring”.
Mas Franco em seu novo filme, que ele mesmo dirige,atua e produz. É baseado na obra do escritor William Faulkner, o “Último Desejo” mostra uma família de fazendeiros no inicio dos anos 20, que perde a mãe, e saem numa cruzada para enterrá-la no lugar que ela deseja. A família mostra várias faces ao longo da jornada, mostrando um poço de segredos que ficam evidentes em algumas cenas, em outras só percebemos com o uso da metalinguagem. James Franco foi bem fiel ao livro e ficou inusitado o seu formato em tela, já que ele fica dividido o tempo todo, às vezes uma parte da tela mostra o que a família está fazendo e a outra fica livre tanto para voltar no passado, presente e também para mostrar depoimento dos familiares, amigos, parente e etc…
Darl Bundren (Franco) interpreta o irmão que é frio o tempo todo como todos da família, principalmente com o seu irmão Jewel (Logan Marshall-Green) que é o mais afastado e independente deles. Esse relacionamento é o conflito principal e não é solucionado, achei isso muito legal já que os dois não precisam chegar ao um acordo, e isso não interessa na historia.

Com a ótima atuação de Tim Blake Nelson que faz o pai da família, o filme faz de um simples fato uma jornada ao interior deles, como segredos de casamento e que irmãos às vezes são seus piores inimigos. Franco conseguiu captar o sentimento de cada um, e a narração ficou muito bem captada. Às vezes um pouco exagerada as ações de alguns personagens, principalmente de James Franco e Ahna O’Reilly que interpreta a única irmã da família, a historia dela poderia ser mais explorada. Ela esconde o tempo todo que está grávida e vai para a cidade para fazer um aborto, mas o médico faz um acordo com ela pedindo sexo em troca do aborto. Será que esse conflito não poderia ser mais bem explorado? Do que simplesmente deixar as intenções dos personagens jogadas. Achei um ponto perdido essa parte, e principalmente o final que poderia ser menos literal e colocar alguns pingos na historia da família.

Mas James Franco conseguiu ilustrar muito bem a obra de um grande autor que é William Faulkner. Franco tem mostrado grande competência em vários campos da arte e mostrando também uma excelente escolha de filmes para dirigir. Um mais alternativo do que outro e saindo bem dos padrões hollywoodianos. Coisa que pelo menos Franco nunca foi. 
Nota:  


             

Crítica: A Noite do Demônio (1957)

“versátil home vídeo” está lançando nesse mês uma coleção de “obras primas do terror” , uma boa coleção que traz grandes filmes. E um deles é “A Noite dos Demônios” de 1957, ele foi dirigido por Jacques Tourneur. O diretor cuja carreira está recheada de clássicos do terror e do suspense, sabe bem montar uma história envolvendo esses gêneros.
Baseado no livro de M.R. James chamado “Casting the Runes” e roteirizada por Charles Bennett que também escreveu o roteiro de outro clássico do suspense que é “O Homem que sabia demais.” O filme tem como sua principal “Plot” a razão e o misticismo. No qual a magia e as crendices imperam numa Inglaterra escura, fria e pouco amistosa.
A história acompanha o Dr. John Holden (Dana Andrews) um famoso psicólogo que se especializou em parapsicologia, o estudo do sobrenatural. Então ele viaja o mundo combatendo mitos e lendas. O filme todo se passa na Inglaterra, onde ele ia encontrar um amigo. Na verdade já sabemos que o misterioso existe, ou melhor, a magia. Já que o amigo de John o Prof. Harrington (Maurice Denham) é vitima de magia negra e um demônio aparece e o mata, mas a necropsia diz que ele morreu eletrocutado. Apesar de a produção ser excelente no filme, e os efeitos especiais também. Quando o demônio aparece, é incrível a qualidade colocada em cena, principalmente pela época e o desenvolvimento da tecnologia. Só que o mistério já é revelado nas primeiras partes, então não temos aquele conflito de “verdades”, do tipo se o que o protagonista está vendo é real ou coisa da cabeça dele mesmo. Senti falta desse conflito interno, que também poderia passar facilmente esse sentimento para o publico em geral.

A história se apóia muito na razão versus crendices. O Dr. John se apóia na razão e tenta ver aquilo tudo que se passa de uma forma mais racional possível. Apesar de vermos que a magia é real, chega a ser irritante algumas cenas em que ele tenta achar uma forma possível de ver aquele mundo usando outras formas para explicar os fenômenos. Um ponto positivo é atuação de Niall MacGinnis que faz o “bruxo” Julian Karswell, ele é a mente por trás de todo aquele mistério. Ele é o líder de um culto e elimina todas as pessoas que passam em sua frente. Mas sua interpretação e simpatia são tão poderoso nesse filme, que o deixa acessível e ao mesmo tempo perigoso.
Uma curiosidade sobre “A Noite dos Demônios” é que Sam Raimi o usou como base para o seu filme “Arraste-me para o Inferno”. Basicamente toda a mitologia é copiada. No filme de 1957, Karswell só consegue eliminar alguém quando ele passa um pergaminho para a pessoa e ela em posse do papel é morta pelo demônio em três dias. No filme do Sam Raimi é a mesma coisa, até a ultima cena é parecida, quando se tem a morte na estão de trem. O filme se diferencia nas partes técnicas. Jacques Tourneur soube muito bem usar os enquadramentos e também a luz do cenário para criar um ambiente de medo e suspense, tanto com o “Plongée” e o “contra-plongée” e também com “planos fechados” para criar climas claustrofóbicos com os seus personagens.

Mas voltando a história, é bem interessante o suspense com o terror, e os efeitos especiais, que realmente o deixa com mais qualidade possível. E também pelo ano, já que filmes com temática de ficção cientifica estava mais em moda como o ótimo “Planeta Proibido”. Mas a “Noite dos Demônios” realmente surpreende. Apesar de algumas falhas de roteiro e de direção, como condução de cena e também dos atores. O filme consegue se manter até o final, com o terror e o suspense. Realmente um filme imperdível para quem é fã de terror e uma edição sublime para quem é colecionador de filmes em geral. E também para quem é fã desse diretor que dirigiu excelentes filmes de terror.
Nota:


                                

Crítica: Estranhos no Paraíso (1984)

Falar do cinema independente americano é falar de Jim Jarmusch um símbolo maior desse movimento, com filmes pouco eventuais e pulando de tema para tema, ele consegue concentrar ótimos roteiros e também uma excelente direção que poucos diretores conseguem. O interessante de Jarmusch é como ele altera os temas dos seus filmes, desde samurais modernos, vampiros em crise de personalidade até um estranho de meia idade tentando achar seu filho.
Um dos seus primeiros filmes foi o excelente “Estranhos no Paraíso”, lançado em 1984 ele foi pensado primeiro como um curta-metragem, mas vendo algumas sobras de negativo ele decidiu transformar em um longa-metragem, coisa que já fez também com outro excelente filme que é “Sobre Cafés e Cigarros” de 2003.
Jarmusch apesar de ter estudado cinema em “Nova York, ele se inspira em diretores europeus e asiáticos, como o próprio BergmanOzu e Kurosawa. Principalmente a estética adotada nesse filme que é bem parecida com a de Bergman, ao retratar o espaço vazio que cerca os seus personagens e combina com as personalidades deles que são eufóricas, perdidas e até banais em certos momentos. Uma coisa muito legal e que ele usa basicamente em todos os seus filmes é trilha sonora pouco convencional e também o fato de ser um som diegética, e poucas vezes a trilha não é incidental.
A história acompanha a vida de Willie (John Lurie) um malandro húngaro que mora em Nova York, mas rejeita sua descendência e assim não liga pelo tédio em que vive. Não tendo um emprego fixo, ele sobrevive de apostas de cavalos e trapaceando no pôquer para ganhar algum dinheiro. Um dia ele recebe a visita da sua prima que chegou da Hungria e vai passar alguns dias com ele, os dois parecem se encaixar já que ela também não liga para o tédio na vida de Willie e mesmo querendo ou não vive só no apartamento do primo. Eva (Eszter Balint) depois de um tempo vai morar com a tia em outra cidade.

O filme tem vários cortes, que aceleram o seu tempo, ou até algumas situações. Nisso se passa um ano e vemos que a vida de Willie continua a mesma coisa. Mas então ele consegue algum dinheiro trapaceando no jogo e junto com o seu amigo Eddie (Richard Edson) eles resolvem fazer uma viagem de carro. Willie, então decidi ir visitar sua prima. Assim eles partem até a cidade onde ela está. Quando eles chegam na cidade, rapidamente eles mudam de idéia e mudam de rumo e querem ir para Flórida, e assim voltam e pegam Eva e partem novamente. O roteiro talvez se prejudique nisso pela própria personalidade dos personagens que são inquietas e não sabemos o que eles vão fazer, e assim é realmente uma surpresa qualquer reação deles em tela.

Com um final desencontrado entre os personagens é interessante como se aborda tudo. Primeiro temos Eva que “ganha” uma grana e decidi ir para Europa, mas também fica perdida entre viver na América ou voltar ao seu País, ou até Willie que apesar de aparentar ser uma pessoa difícil, tenta buscar sua prima no aeroporto, mas quem acaba embarcando para o seu lugar de origem é ele mesmo, então Willie embarca para a Hungria, Eddie volta para Nova York. Então é normal vermos essa realidade desencontrada em seu filme, onde todos tomam um caminho diferente, mas acabam no tédio. É como uma frase que Eddie fala quando chegam à cidade onde Eva está. Ele diz: – Você vai para um lugar novo, mas tudo parece igual. E de um jeito debochado, ou até para não pensar na sua situação de vida Willie responde ironicamente, “É mesmo Eddie?”. É engraçado ver como eles são pessoas que conseguem ter grandes reflexões da vida só com olhar, mas ao se expressarem nunca dizem alguma coisa boa. 
Nota: 


             

Crítica: Feitiço do Tempo (1993)

O roteiro de “Feitiço do Tempo” é uma das histórias mais legais que surgiu no cinema de longe e com uma premissa simples de um homem que fica voltando sempre no mesmo dia, e sem saber o do porque isso acontecer, essa temática realmente é fascinante.
O filme foi escrito e dirigido por Harold Ramis que infelizmente faleceu esse ano e que também deixou um legado enorme de filmes clássicos dos anos 80 e divinas comédias como o próprio “Feitiço do Tempo”, “Caça Fantasmas” e “Férias Frustradas” que independente do tempo que você assista, sempre vai te animar ou revelar alguma piada nova ou escondida, mesmo que seja datado os filmes de Ramis são excelentes.
O conceito de viagem no tempo é engraçado nesse filme, porque ele simplesmente esquece que está voltando sempre no mesmo dia e começa aproveitar a os benefícios disso, coisa que séria impossível em outros filmes que abordam isso como uma coisa dramática e séria. Deu uma boa revigorada no tema de ficção.
Bill Murray faz o egocêntrico repórter do tempo Phill, ele cobre “o dia da marmota” uma tradição de uma cidade do interior que diz se a marmota sair da toca quer dizer que teremos verão, se não o inverno continuara. Uma tradição boba, mas que diverte e atrai curiosos, assim ele vai cobrir esse evento junto com o seu câmera e a produtora Rita (Andie MacDowell). Phill, da uma aula de como ser uma pessoa terrível e mal educada com todos, mas um dia que ele passa no hotel onde estava se repete. O legal do filme como já tinha dito é como ele não explica o do porque Phill voltar no tempo, simplesmente acontece e ele fica voltando e voltando.
O filme poderia ser tedioso, e até fica em algumas partes, mas facilmente esse obstáculo é ultrapassado graças a Bill Murray, que tem uma atuação excelente e também um “timing” para comédia que é ótimo, as expressões dele no filme em certos momentos são hilárias e melhor do que qualquer piada. No começo Phill fica confuso com o que está acontecendo, mas aos poucos ele percebe que pode aproveitar dessa situação. Assim ele primeiramente começa aprontar com todos na cidade, desde dar em cima de várias mulheres, as conhecendo bem e depois no outro dia usar isso como um ponto para seduzi-las, ele tenta fazer isso com Rita e o tiro sai pela culatra quando ele se vê apaixonado por ela.

Outro ponto é como a filosofia de viajar no tempo é abordada que mesmo que você tenha poderes quase infinitos, que é o caso de Phill no filme, quando ele se acha um “deus”, nem mesmo a morte pode ser controlada. Nisso ressalto uma das cenas mais legais e emocionantes do filme é quando ele tenta evitar a morte de um morador de rua, e mesmo voltando sempre no tempo é impossível evitar o inevitável, assim Phill aprende uma lição na vida que nada é para sempre e as coisas são passageiras. Mais e mais que ele vai se aproximando de Rita, Phill sente uma mudança interna e assim, as coisas ao seu redor também começam a mudar, sendo assim ele vira o “herói” da cidade que vai de resgatar senhoras indefesas, até ajudar pessoas que estão prestes a sofrer algum acidente. Assim ele começa a se mudar por fora e aceitando que o mundo é mais que o seu umbigo.
A história apesar de simplista tem um fundo mais delicado e filosófico do que se imagina. Com uma intensa carga dramática, e se você for pensando e analisando bem o filme consegue ser bem mais sombrio apesar de ser uma “comédia”. A ideia de você ficar preso sempre numa situação intensa e mundana é apavorante. O filme também apresenta algumas idéias delicadas sobre a morte, como de Phill tentar se matar, várias vezes e sempre voltar ao mesmo lugar. É apavorante se você for pensar bem como o filme se apresenta e a realidade do personagem principal.

A mensagem final do filme é uma fala que Phill diz quando acorda, e Rita ainda continua ao seu lado mesmo passando a noite com ele. Quando Phill percebe que não voltou no tempo, ele diz: “Mudanças são boas”. E isso é a mensagem final do filme, e a mensagem final do antigo Phill a ele mesmo. Ele abandou o que cercava em sua vida, como só pensar em dinheiro ou também ter um ego enorme e colocar sua vontade na frente de todos. Podemos dizer que ele finalmente aproveitou as coisas boas da vida e começou aproveitá-las e teve que ser um trauma, ou melhor, uma anomalia no tempo para ele ver isso, mas bem, antes tarde do que nunca não?
Um filme excelente que apresenta uma comédia muito gostosa de assistir, que é difícil de encontrar hoje em dia a não ser em filmes mais independentes. E também todo o talento de Bill Murray que está realmente fantástico no filme e consegue nos fazer rir só com os seus olhares às vezes irônicos, ou até idiotas mesmo. É uma pena Harold Ramis ter partido tão cedo, ele sabia fazer comédias que faziam rir e apresentava roteiros profundos que precisavam ter certo grau de inteligência para ver isso. “Feitiço do Tempo” é um filme que merece ser revisto e revisto, revisto sempre…
(Se voltar no tempo e ler isso, minha cor favorita é azul.) 
Nota: