segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Crítica: Magia ao Luar (2014)

Talvez “Magia ao Luar” seja o filme mais pessoal de Woody Allen, depois claro de “Memórias” e “A Era do Rádio”. Digo isso porque ele coloca no mesmo quadro a crença e a racionalidade. Além dos roteiros incríveis que Allen consegue fazer, destaco também a ótima fotografia de Darius Khondji que já tinha trabalho com o Woody Allen em “Para Roma, com Amor” e o excelente “Meia-Noite em Paris”. Em ambos os filmes a fotografia se destaca. Mas em “Meia- Noite em Paris” é outra história. É incrível a beleza da paisagem parisiense se misturando com a época da “Belle-Époque”, que faz esse misto com  o novo e o velho,  e assim faz um visual policromático em que tudo se combina.

O filme conta a história de um mágico Stanley (Colin Firth) que mesmo vivendo das artes do mistério e do sobrenatural ele é crente e acredita que o mundo é horrível, com pessoas medíocres que vivem nele e a base de tudo é a racionalidade. Stanley está na sua ultima apresentação antes de entrar em férias e viajar com a sua noiva, mas um antigo colega de profissão faz uma visita e revela que uma “médium” está ganhando fortunas à custa de uma família rica. Ele chama Stanley para tentar desmascarar essa mulher, já que ele próprio começou acreditar nela.

As locações foram gravadas na Europa, e usou o ambiente dos anos 20, tiro destaque também para a caracterização de época que está perfeita, os detalhes dos vestidos e das roupas, revelam muito da característica dos personagens. Colocamos como exemplo Stanley, que sempre usa roupas listradas, com cores sempre num tom comum, seja no marrom ou o preto, que revela uma antipatia e também uma carência de felicidade até. O que entra em choque com Sophie (Emma Stone), a cartomante, ela sempre usa roupas claras, soltas e também já modernas. Outro ponto interessante é como o novo se mistura com o velho. Seja pelo racional que é a cabeça de Stanely e por Sophie que mistura a crença no mundo holístico.   


Aos poucos, Stanley também começa acreditar em Sophie. Até que ele se rende a ela. Mas a racionalidade é mais forte nele, então novamente ele pensa nela como uma fraude. Então a razão de Stanley impera novamente, e quando vemos que ela realmente é uma fraude, o mundo na visão de Stanley nos trás o que ele vê da vida, um mundo maçante e cansativo. Mas uma “magia” ocorre que na  concepção do filme é o “amor” então os dois se apaixonam, essa metáfora para explicar o amor é muito interessante, principalmente para o final do filme.


Achei “Magia ao Luar” fofo ao abordar isso no final do filme, que independente da racionalidade ou da crença ambos estão sujeitos apaixonar. E nada é mais forte do que o amor seja pela química que despertar no nosso cérebro quando nos apaixonamos ou pelo destino.  Apesar do final previsível, o roteiro tem pontos de viradas interessantes. Ele ainda consegue nos cativar seja pelos atores super carismáticos, pela ótima fotografia ou também pela trilha sonora.  “Magia ao Luar” perde de longe de ser um ótimo filme como foi “Blue Jasmine” ano passado. Mas ainda sim é cativante e motivacional a sua maneira. Talvez Woody Allen esteja renovando sua crença na humanidade depois de se afundar em filmes do Bergman como foi seu começo de carreira, talvez ele parou de enxergar o mundo de Stanely e abraçou a irracionalidade de Sophie. 

Nota: 


             

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Crítica: Babadook (2014)

“Babadook” é o típico filme que você vai se surpreender por suas camadas no roteiro e também pelo seu terror psicológico que é chocamente. A história principal é sobre uma mãe que perde seu marido quando ele está a levando para o hospital para dar a luz. Sete anos depois com o nascimento de Samuel (Noah Wiseman), ela não conseguiu superar nem a perda do marido e também de ser mãe solteira. Assim sua vida é uma loucura constantemente.

Amélia (Essie Davis) não consegue conciliar sua vida, assim a vemos aos poucos ficar consumida por algo negro e nefasto. Os problemas com Samuel só aumentam, quando ele tem problemas na escola e ela o tira de lá, sua vida só piora e o estresse também. Uma noite quando Amélia está lendo para o seu filho, ele acha um livro escrito “Babadook” e quando ela lê vemos que não é uma leitura comum, já que os livros contem algumas coisas bizarras e figuras assustadoras. Aquele livro impressiona Samuel que acredita que o monstro é real.

Aos poucos o medo de Samuel, vai tomando conta de Amélia que começa a ficar fora de si,  vê coisas em sua casa e barulhos a noite que a deixar sem dormir. O interessante de filmes com esse terror psicológico, como o próprio “Iluminado”, no qual aborda se aquilo que vemos é real ou apenas alucinação do personagem. Amélia está sofrendo um transtorno de personalidade e não saber lidar com o seu filho, aquele acúmulo de estresse e canseira faz com que ela libere o pior lado dela. É interessante esse ponto do “breaking bad” de quebrar literalmente para o lado ruim, e talvez o “Babadook” seja essa manifestação desse lado negro que ela tem, ou melhor, como todos nos temos e tentamos dominá-lo só que às vezes ele fica maior que nos. 


Os atores do filme são impressionantes. A estreante diretora e roteirista Jennifer Kent que só tinha feito um curta que chamado “Monster” que também aborda os mesmos elementos desse filme. Mas em “Babadook” ela consegue explorar melhor a temática entre mãe e filho e esse medo que toma conta deles. O filme impressiona tanto pela câmera e pelos efeitos quanto pelo roteiro que é muito bem explorado e os atores que são muito expressionistas. Principalmente Noah Wiseman que tem uns jeitos para atuação que impressiona. Se valorizarem o talento do garoto, não fico impressionado se daqui alguns anos não o virmos concorrendo algum premio da academia. Mas o filme tem os seus defeitos como a trama arrastada no segundo ato, onde a diretora poderia explorar mais os atores na primeira parte do filme e deixar o terror e suspense mais explícito na segunda parte.

O que mais me chamou atenção no filme é a psicologia usada na trama. O fato de Amélia derrotar o monstro simplesmente o enfrentando e vendo seus demônios de frente faz com que “Babadook” se esconda no porão da casa. Podemos interpretar o porão como a mente da personagem, assim ela o fica alimentando o seu medo invés de dominá-lo de vez. É interessante como a psicologia e interpretação muda o seu ponto de vista em relação ao filme e o aborda com outra ótica. “Babadook” é uma produção que você deve ter certo olhar crítico sobre ele, ver sua interpretação e aos poucos desvendando as camadas do filme. Só espero que a diretora Jennifer Kent faça mais filmes inteligentes de terror, porque é o falta para o mercado de hoje em dia e também para o amadurecimento para esse mercado consumidor, que deseja filmes onde eles não tem o esforço de pensar sobre a trama.

Nota:
 

          

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Crítica: Invasores de Corpos (1978)

É interessante como os filmes usam a linguagem da época para criar algo, seja por desastres econômicos, doenças ou violência. Os filmes flertam diretamente com a linguagem da época. Nesse caso podemos falar de Invasores de Corpos de 1978. O filme é um “remake” do clássico “Vampiros de Alma” do diretor Don Siegel. Nos anos 50 o filme falou sobre o perigo do comunismo se infiltrar dentro de uma sociedade e mudar todo o seu contexto. Já o "remake" trata da paranoia, medo e também de conspirações.

O filme começa de um jeito magnífico, explicando como essa ameaça chegou ao planeta Terra, uma explicação básica e até coerente. Na verdade são a base para a crença do começo da vida na terra, organismos entrando na atmosfera e anos de evolução.  Mas claro que a ficção faz sua parte e deixa as coisas mais divertidas. Mas é interessante como ele retrata a paranoia nos anos 70, tanto pelo movimento político da época, como o caso “Watergate”, derrubada de presidentes, a quebra de arquivo confidencial e claro, todo um mundo novo, com a descoberta da AIDS; enfim aquela aura do medo que ficou mais forte até hoje.

Com um elenco principal pequeno que conta com Donald Sutherland, Brooke Adams, Jeff Goldblum, Veronica Cartwright e Leonard Nimoy, a trama é bem feita e muda bastante do filme dos anos 50, deixando a ação mais explicita que combina com a produção. A direção de Philip Kaufman está sensacional. É muito bacana como ele monta o filme e deixa mais evidente esse tom da paranoia tanto coletiva como individual, de que tudo pode ser coisa da sua cabeça, mas no final revela-se uma invasão mesmo. Mas a montagem do filme é o que faz a trama, tanto com o som que é uma coisa que mistura o som diegético, ou seja, que está em cena como o não diégetico que está fora. Mas ao mesmo tempo é uma coisa crua e às vezes cruel que deixa um suspense antes mesmo de aparecer algo em tela para dar esse medo em você.


As atuações estão ótimas, tanto de Sutherland que faz um agente de saúde, que no começo não acredita no que está acontecendo, ou melhor, não acredita na paranoia coletiva, quanto a Brooke Adams que vê naquilo como um medo insistente que fica mais visível seu efeito nela. Mas o melhor papel fica mesmo com Sutherland e Leonard Nimoy. Nimoy que faz um famoso psiquiatra ajuda seus amigos a pensar que aquilo não passa de um estado de medo coletivo, mas depois vemos que ele é na verdade uma pessoa infectada e que está manipulando seus amigos. Acho que essa cena é fundamental ao mostrar que aquilo não tem escapatória e que na verdade não adianta fugir e que estamos condenados.

“Invasores de Corpos” é um filme conhecido por ter um final poderoso e marcante. Realmente é algo complexo se você for parar para pensar, como a vida está condenada e aquela sociedade utópica é um câncer que vai crescendo e crescendo. Mas é interessante pensar nos pontos que o filme leva, do tipo vale à pena ter uma vida melhor sem liberdade? Eu acho que a principal coisa que o filme coloca, liberdade e paranoia entram em choque. Realmente esse filme é incrível, mas é incrível ainda são as possibilidades de pensamento que o filme pode nos mostrar.  Podemos encaixar o filme com a nossa realidade, tanto mundial como nacional, principalmente na pós-eleição que tivemos esse ano.


Assistam “Invasores de Corpos” e vejam as camadas que o filme da para você desenvolver, ou melhor, desenrolar. Preste atenção no som do filme que é incrível e sua fotografia que é fenomenal e depois tire suas conclusões do que a nossa sociedade se formou principalmente no pós 11 de setembro.

Nota: 


                              

sábado, 25 de outubro de 2014

Crítica: Uma Noite sobre a Terra (1991)



Jim Jarmush talvez seja um dos melhores roteiristas que o cinema já viu. Com histórias simples que beiram ao brilhantismo, ele sabe como introduzir personagens numa trama sem grandes “truques”. Prova disso é “Flores Partidas” onde Bill Murray parte numa busca para encontrar seu filho e também o western “Dead Man” no qual mostra um Johnny Deep com uma vida incerta. E seu filme mais recente que é “Amantes Eternos” no qual passa a reflexão da descida criativa e também mística de um mundo cada vez mais chato.

Em “Uma Noite sobre a Terra” podemos ver novamente em ação seu gênio criativo. Com um roteiro espetacular e uma direção simples, ele transforma a vida de cinco pessoas comuns através de várias óticas, tanto cultural, étnica e também emocional. É interessante como ele consegue colocar a humanidade no ponto mais alto em todos os seus filmes e o retrato da vida comum também.

A história do filme é dividida em cinco partes, ou melhor, em cinco cantos da terra. Los Angeles, Nova York, Paris, Roma e Helsínquia (Finlândia). Através desses lugares as pessoas vão se apresentando. O legal do filme é como ele se passa todo dentro de táxis, então a importância do dialogo bem construído é fundamental, e também atuação para envolver o público. Já que toda ação é dentro de um único lugar. Em Los Angeles temos a história de Corky (Winona Ryder) ela faz uma taxista que se mostra uma pessoa experiente e com jogo de cintura dentro de um universo masculino. Pelos diálogos que ela fala podemos ver como ela se posiciona dentro do seu próprio mundo e fora dele. Quando uma rica produtora aparece no seu taxi e acontece o diálogo entre elas, é interessante ver como Victoria Snelling (Gena Rowlands) e Corky se mostram em vários assuntos. Enquanto ela quer encontrar um homem que a respeite, trabalhe duro e a de filhos, Victoria deseja só alcançar as coisas mais fáceis como dinheiro e o poder. Ela deseja colocar Corky dentro do seu mundo oferecendo uma oportunidade para ser atriz. Mas Corky recusa deixando Victoria sem palavras. Jarmush parece que tem uma abominação quanto à fama, podemos ver isso nos seus filmes como já citei em “Amantes Eternos” e também o ótimo “Sobre Café e Cigarros” que apresenta muito bem esse lado da fama e do esquecimento.


 O filme também apresenta algumas figurinhas repetidas nos filmes de Jarmush como Isaach De Bankolé e Roberto Benigni que são personagens incríveis. Bankolé que faz um taxista parisiense e retrata um personagem interessante ao mostrar uma pessoa comum com seus defeitos. Quando ele entra em cena, está com dois africanos no carro que estão o insultando por causa de seu regionalismo. E quando ele pega outra passageira ele faz o papel de discriminador já que ela é cega. É interessante ver essa troca de comportamento e também a fragilidade humana nessa cena, em cada detalhe e comportamento. E quando temos Benigni um taxista romano a inversão do drama para a comédia é excelente, a sua atuação de simplesmente contar os fatos, ou melhor, ser uma comédia mais de situações do que tentar provocar risos é fenomenal. Jarmush mostra um controle na direção e ainda mais no roteiro e na hora de escalar os atores que é simplesmente genial. 


Outro ponto interessante é a história de dois taxistas Europeus. Helmut Grokenberger (Armin Mueller-Stahl) um alemão que se mudou para Nova York para ganhar a vida e de certa forma mudar a dele, entra em choque com a cultura do ocidente e do oriente. E também da ultima história que o filme conta que é do taxista Mika (Matti Pellonpää) que vive um homem frustrado pelo seu passado como a relação com sua esposa, a vida dura e a perda de um filho. É legal como as duas histórias mesmo sendo ponto de vistas diferentes abordam a perda humana em relação tanto ao material como o emocional. 

Jim Jarmush é um diretor sensacional que sabe como ninguém contar uma boa historia e como passar isso para os seus atores. Uma noite sobre a Terra é um ótimo filme, inspirador do começo ao fim. Uma humanidade que tocam em vários sentimentos não explorados no cinema de forma geral. Um excelente filme que vale a pena ser conferido.

Nota:



               

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Crítica: Evil Dead (2013)

Uma continuação ou “remake” é sempre difícil de realizar, principalmente quando se trata de um clássico do cinema de horror. Visto pelas continuações de filmes como “O Massacre da Serra Elétrica”, “Sexta Feira 13” e até o infame “O Planeta dos Macacos”, do cada vez pior diretor de todos os tempos Tim Burton. Às vezes é difícil também um “remake” ficar tão bom quanto o original ou mesmo reformular seu universo, prova de poucos exemplos deram certo foram com filmes como: “Scarface” do diretor Brian De palma, “Cabo do Medo” de Martin Scorsese e sua versão americana de “Os Infiltrados”. Ou até mesmo Sergio Leone que realizou “Por um punhado de Dólares” com Clint Eastwood um clássico do “Wester Spaghetti”, mas ele copiou quadro a quadro “Yojimbo” do diretor Akira Kurosawa. E o resultado é espetacular, mas claro que estamos falando de deuses, não de mortais que podem cometer erros.

Hollywood pode te amar e te condenar facilmente por qualquer erro, mas sempre tem aqueles que não ligam para os estúdios, prova disso seja Sam Raimi que dirigiu a trilogia “Homem-Aranha” e mais recentemente “Oz - Mágico e Poderoso”. Raimi começou sua carreira aos 22 anos fazendo aquela que seria sua obra-prima “Evil Dead”, mas nesse ano ele deixou a direção para o bem novato Fede Alvarez que só tinha realizado curtas-metragens. Com os trailers ficou visível que mesmo um novato conseguiu readaptar esse clássico dos filmes gore e levar o filme para outro patamar. O longa foi vendido pelo mundo como “O filme mais apavorante que você verá nessa vida”. E devo dizer que ele cumpriu o que prometeu, com a produção de Sam Raimi e a consultoria de Bruce Campebell (O nosso glorioso Ash dos filmes originais.) Um ponto legal é como o filme foi produzido sem efeitos especiais, e só com os efeitos de antigamente como o uso de maquiagem e poucos efeitos com CGI (Common Gateway Interface ou traduzindo Imagens geradas por computador).



A trama também é outro destaque Álvares deu outra visão para o filme, ele conseguiu transformar a história e deixar o espectador sem entender seu personagem principal. A trama começa já surtada, primeiro ao mostrar um ritual de exorcismo, você não sabe bem onde está sendo realizado esse ritual somente você vê gatos mortos pendurados em todos os cantos, uma mulher velha e uma garota amarrada em um tronco, logo você é levado a pensar que a mulher, vai ser estuprada ou morta em algo bizarro. Mas a história muda e te surpreende e se acostume, porque quase todo o filme é isso, pequenos “inserts” de nada do que você vê é real.

 Passando um tempo cinco amigos se reúnem em uma cabana para tratar de Mia (Jane Levy), uma dependente química que desejar sair do mundo das drogas, ela é acompanhada pelos seus amigos Eric (Lou Taylor Pucci), sua enfermeira Olívia (Jéssica Lucas), pelo seu irmão que ela não vê há bastante tempo David (Shiloh Fernandez) e sua namorada Natalie (Elizabeth Blackmore). Eles encontram um porão onde se revela que o exorcismo no começo do filme foi realizado ali. O destaque principal do filme é um livro que se chama “Necromicon”, ele é uma espécie de portal para demônios virem para a terra. David e Eric descem até o porão e acham o ritual que usaram e logo em seguida o livro. Curioso Eric abre o livro e mesmo com os avisos que estão marcados de não mexer. Eric lê assim mesmo.


Passado algum tempo e voltando com histórico de drogas de Mia, que por sinal é muito bem desenvolvido. Ela foge da cabana já que ela está se desintoxicando e rouba um carro dos seus amigos. Como ela é a mais sensível entre todos, logo começa a perceber os sinais e vê uma mulher entre a floresta, ao fugir com o carro ela bate e foge. E mantendo o clima do original, Fede Alvarez usa a câmera subjetiva (é utilizado para quando você vê o que o personagem vê naquele momento, no caso o demônio que está na floresta) para guiar o público. Mia foge e a floresta está viva! E novamente lembrando uma cena do filme original a floresta a estupra e possui sua alma. Quem já assistiu aos filmes antigos sabe que depois disso você pode esperar um banho de sangue, cenas nojentas e tensão do começo ao fim. E assim começa desde cenas de vômitos na cara, até mutilações e várias sequências que te fazem pular da cadeira.

O filme tem várias homenagens ao original como o carro de Ash que aparece abandonado na mata, o banco que tem na varada da casa, o personagem Eric que brinca com os baralhos e um colar que tem no novo filme, mas é usado em outro contexto nessa refilmagem.

Evil Dead é um filme totalmente despretensioso que acertou de mão cheia em tudo, desde direção, elenco, produção, roteiro e uso prático invés de CGI. E mais ainda um filme corajoso, ao mostrar mutilação sem efeitos especiais.

Isso é uma homenagem a velhos como eu que cresceram com o “Cine-Trash” e outros filmes de terror dos anos 80 e 90.

Confiram o filme nos melhores cinemas, leve um saquinho de vomito (porque talvez precise) e fiquem até o final do filme, fãs das antigas. 

Nota:


quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Crítica: O Mestre (2012)

Paul Thomas Anderson é um gênio e isso é inegável, e ainda mais falar de um assunto tão polêmico que é a religião, mas em tempos modernos e se tratando dos Estados Unidos, estamos falando da “Cientologia” uma religião criada nos anos 50 pelo roteirista L.Ron Hubbard, que acredita que viemos do espaço fugindo de um alien. Realmente a origem da cientologia não tem importância, “South Park” já fez um episodio falando disso que se intitula “Tom Cruise saia do armário”, como prova que um simples desenho causou tanta polêmica, que um dos personagens principais saiu da série e ainda eles receberam tantos processos e pressões que tiveram que parar o desenho por um tempo. Com “O Mestre” não foi diferente; O filme foi mal nas bilheterias, teve pouca publicidade em torno dele e o diretor Paul Thomas Anderson ficou de fora do Oscar e não concorreu a melhor diretor e nem a melhor filme. Mas tudo bem outro gênio do cinema Stanley Kubrick nunca ganhou um Oscar e vai me dizer que ele é menos espetacular por causa disso.

O filme não ataca diretamente a cientologia, mas não escapa das críticas e de ser taxado como uma seita que está ali só para ganhar dinheiro e enganar as pessoas, “A Causa” que é usado como se fosse uma bíblia é escrita pelo líder da seita Lancaster Dodd (Philip Seymour Hoffman) Ele é quem move a trama para frente. Hoffman está brilhante como o mestre, ele é confuso, misterioso e você não consegue definir bem sua personalidade que é sempre controlada e uma vez ou outra ele explode. O interessante em Lancaster é que você não sabe se tudo aquilo é picaretagem ou ele realmente acredita que está fazendo o bem para as pessoas, e ainda propaga a filosofia da “Causa”. E no outro lado tem sua esposa à sensacional Amy Adams que está ótima no papel.
Ela vive a esposa de Lancaster, Amy é bem diferente do marido, ela é controladora e sinceramente a verdadeira “mestre”. Em uma cena em que Lancaster está trabalhando em sua maquina de escrever, ela fala com ele como se desse ordens, e diz sobre como a causa precisa triunfar e como devemos destruir as pessoas que não acreditam nela. O interessante na cena é de como Hoffman trabalha abaixado como se tivesse realmente recebendo ordens e Peggy Dodd (Adams) não fica na frente dele conversando ela fica atrás, e ele só ouve e não reage por que ele sabe de como sua mulher está certa. Peggy é controladora e deseja o poder, mesmo às pessoas que estão dentro da “causa” se atrapalharem o andamento da seita ela tira eles de cena é o que ela faz com Freddie Quell (Joaquin Phoenix) um cara que tem vários problemas tanto mentais como sexuais, e Peggy vê nele um problema.


Joaquin Phoenix da vida a Freddie, que está assustador, uma atuação arrasadora. Ele vive um ex-marinheiro que logo que acaba a guerra ele se vê em um mundo cheio de oportunidades, mas ele não sabe aonde seguir e isso faz com que ele pule de empregos e de cidades. Você nunca sabe sua reação ou o que ele está pensando no momento, ele simplesmente fica lá. O único trabalho que ele repete novamente no filme é de fotografo. Penso que ele tem essa profissão talvez para se sentir mais próximo das pessoas ou querer ser elas. Freddie tem problema com a raiva como é visto na melhor cena em que fica preso na cadeia junto com Lancaster. Ele simplesmente pira e o estado em que ele fica da ainda mais impacto ao seu personagem. Freddie é meio corcunda e se apóia com as mãos nos joelhos seu rosto é paralisado e ele move poucos os lábios só o canto direito que deixa ainda mais difícil entender o que ele está dizendo. Ele também é bem perturbado e suas emoções são confusas para ele mesmo, em duas cenas que todos do culto estão cantando e dançando ele simplesmente vê todas as mulheres peladas e a câmera acompanha normalmente como se você tivesse no ponto de vista de Freddie, simplesmente brilhante, em outra cena é quando ele está no cinema e tem uma visão que Lancaster conversa com ele e diz o que ele deve fazer. Talvez essa “visão” comprove a eficácia do culto, antes de Freddie conseguir se livrar totalmente desse lado doentio que ele tem, Lancaster propõe para alguns um teste e em outra sacada genial do roteiro e da brilhante inteligência de Paul Thomas Anderson em volta da psique humana. Você também não sabe se o que Lancaster faz com os testes é um controle mental sobre as pessoas ou ele quer ajudar Freddie, mas a sua personalidade o deixa a desejar sobre os métodos de Lancaster o faz o mestre falhar sempre. Em um exercício de confiança que é proposto pelo “mestre” aonde Lancaster vai até certo ponto, mas volta, Freddie faz à mesma coisa e simplesmente vai embora. Mas voltando ao comentário do cinema, essa é a maior eficácia da lavagem cerebral a pessoa não consegue ficar longe de seu mestre e volta para ele.   


Joaquin Phoenix se mostra uma pessoa imprevisível e mesmo toda a lavagem cerebral não consegue tirar esse lado dele, outra curiosidade, é de como ele mistura suas bebidas usando óleo de motor, tiner e outros ingredientes poucos ortodoxos e isso deixa uma áurea ainda mais sombria sobre ele.


Freddie Quell é uma pessoa que você vê que ele não tem futuro. Ele simplesmente está lá, ele não sabe o que faz ou o que diz ou como se situa em cada situação, ele simplesmente vive o momento sem se preocupar com as conseqüências de seus atos. Vejo também essa situação de Freddie como os Estados Unidos estão vivendo no momento. Eles acabaram de sair de uma guerra superaram uma crise econômica que era de 1929 e vê uma grande economia ressurgindo. Talvez esses anos de 20/30 que foram difíceis para o povo americano se agravem ainda mais pelo fato que Freddie é um ex-soldado e acabou de voltar da guerra, que vai ser um problema enfrentado novamente com os jovens que voltavam do Vietnã. Mas o fato dele parecer com a América é que mesmo superando uma crise e uma guerra, os cidadãos se vêm perdido e mesmo com uma grande chance que está vindo que é o “american way of life” essa grande oportunidade mostra também uma grande falta de mão-de-obra. E isso é uma conseqüência também do por que “A causa” conseguiu ser tão popular nos anos 50, eles prometiam coisas como uma vida melhor, alegria eterna e outras promessas para chamar o publico. Como religiões que fazem iguais, tanto à católica ou a que está mais evidente é a evangélica que pode ser considerado a cientologia da América do sul, eles fazem lavagem cerebral, prometem felicidade eterna e ainda fica com o seu dinheiro e se você fala mal deles você é simplesmente destruído ou é taxado como intolerante.

O Mestre é um excelente filme sem duvidas e não esperava menos de um gênio que é Paul Thomas Anderson que tem em seu currículo filmes como Jogada de Risco, Boogie Nights, Magnólia, Embriagado de Amor e Sangue Negro. O diretor demorou 5 anos para lançar “O Mestre” e sinceramente não ligo para o tempo desde que ele lance sempre essas obras primas. Paul Thomas Anderson já é um dos diretores mais geniais e originais da atualidade.

E sem contar com a brilhante trilha sonora de Jonny Greenwood que faz um excelente trabalho tanto na parte instrumental como na vocal que da um ar místico a obra e deixa todos os elementos certos. Às vezes um pouco confusa para elementos que não precisa de ação ou outras quando o personagem necessita ou no caso o publico para se sentir um pouco dentro da ação e dentro da cabeça de Freddie. Mas é uma surpresa agradável ter ela no filme.

O filme pode ser cansativo para algumas pessoas, talvez por não entenderem, por achar difícil ou não entender a linguagem do diretor que muda bastante de um filme para outro. Coloco “O Mestre” no altar de “2001 – Uma Odisséia no Espaço”, mesmo um filme que trata de religião e outro que se afasta completamente dela, os dois são complexos e bem estruturados, uma obra-prima que vale ver, rever, rever, rever e lembre-se: Se piscar volte para o inicio.

 Nota:


          

sábado, 13 de setembro de 2014

Crítica: A Mulher de Preto (2012)

Fazer um filme de terror hoje em dia não é fácil, como disse em criticas anteriores o terror está se tornando um gênero morto e muito mal aproveitado.
 A Mulher de Preto que é um “remake” de um filme para TV de 1989 produzida pelo lendário estúdio inglês “Hammer House of Horror” e que voltou recentemente ao mercado produzindo ótimos filmes como a versão americana de “Deixe Ela Entrar”. A “Hammer House” é conhecida pelo terror gótico e Clássico, que esse estilo apresenta. Podemos dizer também que é bem inglês no quesito de ser contestador a aristocracia e fazer criticas a posse, consumismo um pouco desenfreado e ao comodismo.

Essa nova versão não é diferente. A escolha de contratar Daniel Radcliffe (Harry Potter) para o papel principal do advogado Arthur Kipps. Que na versão original de 1989 foi interpreta pelo “Seu Pai” nos filmes da saga Harry Potter.
 A Historia começa em Londres apresentando a vida de Arthur ele tem um filho de 4 anos e perdeu sua mulher no parto do filho,vivendo nessa fase ainda da perda,ele fica na corda bamba no escritório de advocacia aonde trabalha. Ele viaja até uma pequena vila no interior de Londres para fazer um inventario sobre a venda de uma casa.

 O Filme é ambientado todo no final do Séc.XIX no interior da Inglaterra, aonde o ambiente cai como uma luva. E mostra a razão enfrentando o misticismo e até certo modo a crendice popular ser mais alta do que a razão e a lógica.
Kipps chega à mansão e não se incomoda com os avisos das pessoas locais de ir embora e esquecer da casa e a venda dela. Mas o comportamento lógico e racional de Kipps faz com que ele não leve esses avisos a sério. 


Ao investigar mais a fundo os mistérios que rondam a família. Cotterstock Hall que é a mansão onde metade do filme se passa é cercada de vários mistérios como quem é a Mulher de Preto e por que todas as crianças que moram no vilarejo morrem. O clima de tensão entre os moradores locais e Arthur é muito bem explorado você sente o medo e a insegurança das pessoas a cada evento novo ou pessoa nova. Arthur tem a ajuda de Mr. Bentley (Roger Allam) que parece ser a única pessoa racional no meio de todos, ele como o resto das pessoas também teve uma perda que foi de seu filho, a sua mulher Mrs. Daily (Janet McTeer) não teve a mesma sorte e acaba enlouquecendo e virando um fardo para Bentley, mas a questão da loucura e o racional são duas coisas que não se batem no gênero terror, até a pessoa mais racional pode se dar mal quando se tratam de falar de espíritos, demônios e maldiçoes. Talvez a maior crítica do filme a sociedade em geral seja que o homem racional, aristocrata e essa estagnação social tão pulsante estejam tirando o que eles têm que é a crença em algo que seja mais forte ou inexplicável que eles mesmos.
O Filme é bem trabalho no visual e na proposta de ser mais “Dark” visto pelo final do filme, que foi um final corajoso e digno da velha e boa forma da “Hammer”.


A Mulher de preto é um filme para ver pensando que aquele ator não é o Harry Potter, e que Daniel Radcliffe conseguiu sair daquele papel que fez a carreira dele, e se ele souber escolher bem os papeis, talvez consiga se revelar um excelente ator em um futuro próximo. 

Nota: