segunda-feira, 29 de junho de 2015

Crítica: Cala Boca, Philip (2014)

Alex Ross Perry é aquele típico diretor que é mais conhecido em festivais independes do que por sua grande fama com o publico, ou seja, um pequeno “nicho” o conhece. Mas isso também aconteceu com diretores como Tarantino, Robert Rodriguez, Wes Anderson e etc.  

Chegando em seu terceiro longa metragem o diretor e roteirista de apenas 30 anos consegue contar uma boa história, boêmica e também madura sobre relacionamentos pessoais e interpessoais e sobre a vida também. Ao longo da produção, acompanhamos a rotina de três personagens, mas todos se apoiam em Philip (Jason Schwartzman), um escritor que não consegue alcançar seu próprio sucesso pessoal. Na verdade não sabemos o que ele quer da vida. Mesmo sendo reconhecido e tendo um retorno desse investimento que é a escrita e tal. Ele é amargo e cruel com as pessoas o tempo todo. Acho que isso é o charme de Philip na trama, por isso ele conquista o veterano autor Ike Zimmerman (Jonathan Pryce) com quem  se refugia numa casa de campo. Mas vemos que Ike usou Philip como um apoio motivacional para ele voltar a escrever.

Nesse meio tempo vemos a história de Ashley (Elisabeth Moss) a namorada de Philip. O legal do filme é como o diretor aborda todos os lados. Se num momento temos a história do ator principal acontecendo, ele para de contar essa história de um personagem, e foca em outro. Em meia hora ficamos sabendo como superar um relacionamento. Ashley larga esse sentimento de ter Philip como seu namorado e assume que ele em primeiro lugar é um canalha e segundo que ele nunca a amou. Então ela supera os lugares onde eles viviam juntos, volta a frequentar bares, sair com pessoas e etc. É legal como Alex Ross Perry invoca esse espírito em poucas paginas no roteiro, achei muito real e engraçado algumas coisas mesmo sendo rápido. É fácil a identificação com os relacionamentos errados nesse ponto da história.  


Voltando para Philip como protagonista, ele consegue um emprego como professor numa faculdade e assim fica por um tempo e conhece algumas pessoas como Yvette (Joséphine de La Baume), uma professora dedica que se apaixona por Philip, acredito que ele realmente se sente desejado e também tem um amor naquilo tudo. Mas como ele é egoísta e fala as coisas sem pensar e também como ele se coloca como “vitima” em várias situações, acaba afastando as pessoas. Gostei como o roteiro e as falas rápidas de todos os protagonistas conduzem o file num estilo certo e também muito divertido na trama, como o humor negro típico de Philip e a leveza que vemos a história de Ashley.


A fotografia de Sean Price Williams, no qual ele já contribui em trabalhos anteriores do diretor. Carrega um ar dramático, os pontos marrons que ele coloca em sua fotografia, mostra a antipatia do personagem. Mesmo em momentos felizes que vemos com outros personagens, a cena é escura e podemos perceber que isso da um impacto por causa da presença de Philip, a presença dele é obscura. Mas ao mesmo tempo em que ele não está em cena. Como foi o caso onde temos a historia de Ashley, onde as palhetas de cores são mais alegres e vivas também.

Um bom filme com um final bem coerente e até imaginável em certo ponto, a filmografia de Alex Ross Perry é bem nova para mim, mas já digo que sem duvidas ele já me conquistou. Agora é ver seus filmes anteriores e esperar ansiosamente pelos outros.  

Nota:      

               

terça-feira, 23 de junho de 2015

Crítica: O Estranho sem Nome (1973)

Revisitando a filmografia de Clint Eastwood você descobre vários filmes diferentes de sua personalidade que vai de “As Pontes de Madson”, “Gran Torino” e o genial “Menina de Ouro”. E claro coisas grotescas como “Sniper Americano”, “Curvas da Vida” e “O Estranho sem Nome”.  Esse ultimo que é o segundo filme de Eastwood na direção conta com vários planos e até mesmo a história que podemos lembra da trilogia do “Homem sem Nome” de Sergio Leone.  Mas a questão é que o filme foi muito mal realizado. A questão de se assumir a direção como Leone fazia com os planos médios, americanos e planos gerais se copia do começo ao fim. E assim não temos uma ousadia do diretor em seu segundo longa.

A história de um pistoleiro sem nome que chega numa cidade. Onde primeiro é visto como um vagabundo e rapidamente mudando esse “status” para um pistoleiro rápido e cruel, toma conta do filme e assim também a personalidade do estranho. Normalmente temos a presença do “anti-herói” em todo “western spaghetti”, mas o papel de Clint está mais que ultrapassado. Nas primeiras cenas já vemos um estupro acontecendo. A polemica só agrava, quando vemos ele sendo “escroto” com todos da cidade. Usando e abusando de todos, ele consegue extorquir a maioria. O que causa a fúria das principais autoridades.



Sabemos por meio de “flash-backs” quem na verdade é o estranho. Essa parte ficou bem confusa. Como ninguém lembra a cara do xerife da cidade? Essa parte em si ficou muito mal explicada.  Quando temos o conflito tanto do personagem com o restante da cidade, vemos que ninguém presta em nenhum lado. Em “Sniper Americano” acredito fielmente que Eastwood quis falar algo com aquele filme, como ele quis falar nesse de 1972. Mas o que ele queria na verdade?

Ernest Tidyman, o roteirista do filme e também criador de excelentes roteiros para o cinema como “Operação França” e “Shaft”. Conseguiu deixar confusa a história. Desde o porquê da matança, chegada do estranho na cidade, suas intenções também o motivo da vingança.  Apesar de ser um clássico do faroeste americano. Sua história é confusa, o filme é sem graça e também a direção de Eastwood começa grandiosa, mas acredito que os deslizes no roteiro seja o que mais prejudicou o filme. Coisa que não vemos de diretores como John Ford e até o já citado Sergio Leone. Mas como um segundo trabalho do “novato” Eastwood. O filme peca e muito, não teve nenhuma ousadia e sim conseguíamos prever cada ação ao longo da história.


O legal de ver os primeiros filmes de grandes diretores é como percebemos a evolução no estilo e também na forma de narrar à história e acredito que a premiação de Eastwood esteja ai pra provar como ele melhorou e fiz coisas lindas para o cinema. É espetacular a evolução dele aos longos das décadas. Mas “O Estranho sem Nome” é um filme pra ser visto como titulo de curiosidade e não como uma obra prima do diretor e menos como para o cinema de western. Mas confira é sempre bom ver o passado.

Nota:      
               
                            

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Crítica: Amaldiçoado (2013)


A primeira vez que vi algo falando de “Amaldiçoado” pensei que ia ser uma coisa chata sem fim. Ou um romance “teen” usando o sobrenatural como plano de fundo. Mas me surpreendi quando vi que a história é baseada no livro “Horns” do escritor Joe Hill, filho de Stephen King.  Confesso que ainda não li nenhum livro de Joe Hill, apesar de ter comprado “A Estrada da Noite”. Mas deixando os livros de lado. O filme conta com Daniel Radcliffe como personagem principal.

O diretor Alexandre Aja é um veterano no terror e conseguiu equilibrar bem o filme entre um "thriller" bem elaborado, misturado com a ficção que da todo o charme da produção. Ig (Radcliffe) é um garoto que teve sua namorada morta e ele é o principal assassino. Mas contra tudo e todos ele pretende provar sua inocência mesmo que para isso ele tenha que perder sua alma. Numa noite ele quebra algumas imagens religiosas e no dia anterior ele nasce com chifres. Achei legal isso de não explicar como ou porque ele ganha esses e simplesmente ele possui. Isso nos livra de explicações bobas e também deixa a imaginação do espectador fluir livremente.

A história que é muito bem contada e tem uma trilha sonora magnífica que já começa com “David Bowie” desperta uma emoção legal. Principalmente nas cenas onde vemos o relacionamento de Ig e Merrin (Juno Temple) se desenrolar. As cenas de felicidades entram em contraponto com a dura realidade que a garota da sua vida foi morta e você está sendo acusado desse crime. Como você se comportaria?  Elogiar Radcliffe parece ser redundante nesse caso porque ele realmente faz um excelente trabalho no filme. Nem lembramos ou o relacionamos como “Harry Potter”. O amadurecimento do ator para esse filme ficou ótimo e também muito bem feita. Pena que no Brasil o filme foi completamente ignorado.  

                           

A parte técnica do filme é excelente. Tanto pelo diretor de fotografia Frederick Elmes que coloca as cores quentes e frias ao mesmo tempo em cena, no qual nos remete a um “Éden” esquecido ou um misto de paraíso e inferno. Como as lembranças de Ig que são fortes e assim temos as cores mais fortes como o amarelo e o vermelho e sentimos o calor das cenas e quando ele volta pra realidade vemos as cores mais frias e também a frieza da cidade. Esse trabalho realmente ficou incrível. E não é atoa também, Elmes é diretor de quase todos os ótimos filmes que marcaram a história do cinema como os principais de David Lynch que vai de “Veludo Azul” até “Coração Selvagem”. O editor Baxter que é velho de guerra, amigo do diretor e trabalhou em quase todos os filmes que ele dirigiu faz um ótimo trabalho com a edição também.

                                

 “Amaldiçoado” é um ótimo filme que vale ser visto e reconhecido como um misto de terror e fantasia. E sai também do convencional de “teen horror”. A família King está de parabéns. O roteiro que ficou por conta de Joe Hill e também do iniciante Keith Bunin ficou ótimo e assim vemos a verdade através dos olhos de várias pessoas e o ponto de vista também. O que não deixa a história nem um pouco óbvia e chata.  A “Netflix” disponibilizou o filme em sua grade então é só correr e se surpreender pelo papel de Radcliffe e também pelo excelente trabalho de Alexandra Aja. 

Nota: 

                

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Crítica: O Grande Hotel Budapeste (2014)

É incrível como vemos alguma cena e já podemos identificar de qual diretor aquele filme pertence. Seja por Hitchcock, Kubrick ou as viagens psicodélicas de Jodorowsky. Ou até citando os diretores mais novos, podemos notar pelas cores, ou melhor, pela paleta de cores de qual filme ele é. Exemplo David Fincher que usa sempre uma luz mais agressiva em toda a sua filmografia. Caso assim é do também Wes Anderson, um dos meus diretores favoritos. Apensar do assunto meio batido em algumas das suas histórias. Vista por “Moonrise Kingdon” onde ele muda um pouco o contexto de família, o diretor sempre retorna a esses assuntos em sua filmografia. Então sempre vemos o conflito familiar desde toda a família, irmãos ou pai e filho. E claro sua famosa simetria em todos os planos, roteiro redondinho e suas cores que é o mais colorido e extravagante possível.

Mas o que mais podemos notar de Wes Anderson são seus personagens incríveis e caricatos dentro da proposta de cada filme. E também sua trupe que o acompanha em cada produção exemplos como: Bill Murray, Owen Wilson e Jason Schwartzman. Às vezes os vemos como coadjuvantes como o caso de “Moonrise Kingdon” e agora “O Grande Hotel Budapeste”. O já citado grande hotel foi um filme que mais sobressaiu ano passado, seja pelo numero de críticas positivas ou as indicações ao Oscar desse ano. O fato é que o amadurecimento de Anderson se prova como igual e isso é ótimo tanto para nos como para os amantes do cinema, que pegou as ótimas referencias que ele cria dentro do seu próprio universo. Indo de Chaplin a Buster Keaton, o filme usa as comédias dos anos 20 como uma proposta narrativa, ou até uma história dentro de uma história. Se ao mesmo tempo temos a narração de um jovem autor que é vivido na fase mais velha por Tom Wilkinson e na juventude por Jude Law. Isso acontece também com “Zero” F. Murray Abraham e depois Tony Revolori. Achei muito interessante essa proposta e também como ele sai do comum de seus filmes anteriores.



A história começa narrada por Tom Wilkinson, Jude Law e depois temos a verdade dos fatos sobre a tutela de F. Murray Abraham que conta como ficou dono de um hotel mais luxuoso do mundo, ou melhor, era. Mas tudo se resume a uma pessoa, M. Gustav (Ralph Fiennes) que está incrível no filme. Ele consegue equilibrar um leve ar melancólico, com um humor sarcástico e físico que é soberbo. E claro também Zero (Revolori) que é um complemento para construir tanto a trama como a personalidade dos dois. Gustav é o gerente do Grande Budapeste e nisso ele tira o proveito de tudo que pode. Desde transar com velinhas por dinheiro até paparicar autoridades. Quando sua paquera atual morre num acidente bizarro, ele vai até a mansão de sua ex para a leitura do testamento. Onde se descobre que ele herda um quadro valiosíssimo o que atrai a fúria de Dmitri (Adrien Brody). Através dessa trama se inicia uma história incrível e também um mundo particular entre Gustav e Zero. Que apesar do filme se cercar num mundo perfeito que é o Hotel, temos o inicio de uma guerra entre fronteiras e a intolerância também.

Uma utopia por completo, que só ficar melhor com a proposta da fuga de realidade que vemos tanto no próprio hotel como pelo próprio Gustav no ponto de vista de Zero, que o enxerga não como um pai, mas sim um mestre, ou melhor, um guia para sobreviver nesse mundo cruel, que vemos principalmente no final do “Grande Budapeste Hotel”.  O lance amoroso entre Zero e Agatha (Saoirse Ronan) me lembrou bastante os filmes do diretor alemão Ernst Lubitsch que contava com um misto de inocência e também uma malicia sexual. Coisa que ficou marcado ao longo da produção. Outra coisa que temos que tirar o chapéu é a fotografia do Robert D. Yeoman que fez a direção de todos os filmes de Wes Anderson, com seus planos típicos e bem coreografados. Coloco o “Grande Budapeste Hotel” como a melhor produção em toda filmografia de Anderson. Desde o amadurecimento técnico e narrativo até a direção dos atores que está fantástica.



O uso do “Whodunnit” ou no português claro “Quem Matou?” é o que pouco importa na trama e também descobrir a verdade por trás do testamento de Madame D. (Tilda Swinton). O que importa na verdade é a memória dos fatos que marcaram Zero e toda gama de pessoas incríveis ao longo da sua vida.  E claro a história por trás de todas as cenas e personagens que vemos apenas uma vez, mas mesmo assim já fica marcada em nossa mente. Wes Anderson é uma mente criativa sem limites que prova mais uma vez como o cinema é belo independente de sua época e concepção. Um gênio na minha humilde opinião sempre vai agradar com histórias fenomenais e um elenco incrível.  

Nota: 

              

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Crítica: Chef (2014)

Combinar duas paixões normalmente é difícil. Você se dedica às vezes tanto tempo a uma e esquece a outra. Ou esse amor fica tão sufocante que você para de amar aquilo e tenta se lembrar porque dedicou tanto tempo a uma coisa. No cinema não é difícil você ver atores ou diretores se desvinculando daquilo que os “lançaram” ao mundo para se dedicar a cozinhar, pintar ou até trabalhar com marcenaria que é o caso do diretor David Lynch. 

Em “Chef” o diretor e também ator do filme Jon Favreau vive Carl. Uma pessoa nervosa e despreocupada com o filho e coloca toda a sua atenção na sua carreira e na sua paixão que é a comida. Ao mesmo tempo em que Carl vive para a cozinha, ele também vive para dizer que é o melhor “chefe do mundo”. No qual críticas estão às cimas dele e nada pode atingi-lo.  Quando uma crítica negativa surge no blog de um famoso crítico gastronômico. A vida de Carl vai pra água abaixo, junto com a sua autoconfiança. Então seu emprego é ameaçado e ele sai do restaurante onde ele tem todo o prestigio que merece junto com uma bajulação tremenda.  E nesse ponto parece que não muda nada ao longo do filme. Com a vida em aperto, ele decide aceitar os conselhos da sua ex-mulher Inez (Sofía Vergara) e virar chefe em um “food truck”. O lado bom de ser um cara popular em Hollywood é como você consegue vários amigos pra fazer seus filmes e nisso falamos de Dustin Hoffman, Scarlett Johansson e Robert Downey Jr. Que deve ter aceitado fazer as pontas por um preço de banana. Apesar das aparições rápidas foram bem colocadas e nem um pouco gratuitas. O interessante é como Fraveau que também é o roteirista do filme conseguiu montar as cenas e também os diálogos de uma forma inocente, apaixonante e inteligente. Sem cair no sarcasmo e também à inocência boçal, como os filmes com essa mesma pegada mais família se propõe a fazer.

                           

O filme aponta algumas questões mais pessoais na trama que fica evidente ao poucos.  É muito gostoso ver aquilo de trabalho e viajar dar certo no ao longo do filme como a viagem por dentro dos E.U.A e toda aquela pegada mais pessoal também de pai e filho. É um reencontro tanto para eles como para nos. É gostoso como o filme marca algumas coisas, do tipo trabalho em equipe, tradições (não no sentido babaca, mas de ter uma coisa que une, ou deixa em algo comum nas pessoas ).  Mas o lance do filme dar essas reviravoltas de mudar, ou melhor, se adaptar aos novos tempos deixa tudo melhor. O trabalho de fotografia do filme também é excelente. Kramer Morgenthau o diretor de fotografia que já tinha trabalho em filmes como "Thor- O Mundo Sombrio", muda totalmente de estética ao abordar “Chef”. Optando por lugares mais alegres e com cores mais ressaltadas na foto. É um quadro que completa não só as próprias personalidades dos personagens, como uma transformação ao longo do filme.
  
As cenas em que Carl está trabalhando na cozinha fechada é um tom muito mais escuro com algumas pitadas em branco pra mostrar como o personagem se sente. Mas quando ele parte com o “food truck”, isso muda totalmente. O ar fica mais leve e percebemos facilmente as viradas tanto humor e atitude de Carl como de seu filho Percy (Emjay Anthony).

                             

O filme acaba de um jeito ótimo. A redenção do personagem nas questões da família e de como ele muda o seu jeito de pensar em relação ao trabalho e também a profissão. Coisa que vemos quando na tomada final do filme. Temos câmera passando pelo restaurante e vemos primeiro a bancada cheia de comida, sem o Carl e quando ele segue com o plano seqüência. Temos nos fundos do restaurante o casamento dele com Inez. Achei espetacular essa cena, Fraveau cortou o diálogo desnecessário pra mostrar de um jeito simples e gostoso como o seu personagem mudou seus valores, ou melhor, mudou sua escala de importância né?  Apesar de ser bem light o filme. Ele é gostoso, inteligente, sincero e que claro vai te deixar com uma água na boca. E que venham mais produções pessoais com uma temática universal.

Nota: 

              

domingo, 24 de maio de 2015

Crítica: Mad Max: A Estrada da Fúria (2015)

Mad Max sempre vai existir no coração dos fãs da geração anos 80 e 90, ou seja, a minha geração.  A trilogia que nasceu nos anos 70 com um ator que não era nada, pra ser um dos melhores de todos os tempos. O filme é marcado por várias curiosidades, primeiro por ser uma produção totalmente independente e ter um orçamento mais rentável da história. Mas o que mais é fantástico é como o diretor George Miller revolucionou de vez um gênero, que é base para filmes com a mesma temática.

Mas um fato curioso sobre as produções “antigas” é como eles nunca se interligaram. O fato de existir nos títulos dos filmes o “2” e “3” é uma coisa de tradução. Muitas vezes eles lembram a trilogia do “homem sem nome” do Sergio Leone. O “anti-herói” que surge pra resolver um problema no qual ele não quer e depois de resolvido ele vai embora e não quer saber das glórias dos seus atos, só do problema resolvido. Como John Wayne em “Rastros de Ódio”, na famosa cena da silhueta. Clássico definitivo do western e claro dos filmes do John Ford.

Falando em Western é incrível como esse novo filme bebe muito da fonte. Além dos claros já citados podemos lembrar facilmente de “No Tempo das Diligencias” do também John Ford. A influencia de vários estilos é maravilhoso.Sem falar no talento do próprio George Miller em dirigir os filmes.

                            

Definir “A Estrada da Fúria” é um pouco difícil. Porque do mesmo jeito que ele não é uma continuação, ele também não é um começo. E sim uma história baseada numa mitologia que já conhecemos. Tom Hardy que faz Max mostra um lado recuperado do segundo filme do herói. Aquele ar dramático, melancólico e ao mesmo tempo salvador. Já que mesmo ele tendo uma atitude de não querer entrar na onda de ajudar e se afastar dos problemas alheios. Podemos ver que ele também quer ajudar, ou melhor, dar um pouco de humanidade as pessoas. Coisa que fica mais evidente no quarto filme.

Esse novo elenco foi que mais conseguiu afastar os julgamentos dos antigos filmes. Temos de tudo nessa nova produção. Novos atores, novo Max e claro uma nova ambição e a ação que está espetacular. George Miller realmente consegue mostrar pra que veio. Um excelente diretor de filmes de ação e com um sincronismo com cada cena que realmente é fantástica. A direção de fotografia ficou magnífica. John Seale que já tinha trabalhado com Miller em “O Óleo de Lorenzo” faz um ótimo trabalho com as cenas no deserto, os carros em fuga e claro os planos frontais que são a marca registrada da franquia.

                          

Outro ponto que vale muito a pena falar é a importância do papel da mulher no filme e claro no futuro. Max ficou um coadjuvante na trama e podemos falar que “A Furiosa” papel da incrível Charlize Theron tomou de assalto o filme todo. Com um papel forte que desprende da sua beleza, mas mesmo assim podemos dizer que o seu poder seduz qualquer espectador, principalmente os “acrotomofiliacos”. A mitologia para esse filme surpreende também porque se nos primeiros "Mad Max" falamos da crise da gasolina e etc. Nesse temos o problema ambiental e também a falta de água no mundo. É sempre interessante ver o que esses diretores pensam para o nosso futuro apocalíptico. Seja por “Walter World” até “Ratos – A Noite do Terror”dos diretores italianos Bruno Mattei e Claudio Fragasso. O futuro é sempre algo interessante na mente de outras pessoas. Ainda mais o apocalipse. Mas “Mad Max” sempre foi campeão em formatar o caos e entregar o inesperado.

                              

Mas realmente uma coisa temos que ficar grato. É um alivio George Miller voltar pra direção do filme e não entregar pra outra pessoa dirigir. O sucesso foi tão grande que podemos esperar para mais um filme. E digo sem preocupações que podemos respirar aliviados, a franquia conseguiu se sustentar depois de 30 anos desde o ultimo filme e também por vários problemas na produção ele conseguiu se lançar sozinho. E que belo dia pra reviver Mad Max. Que belo dia.


Nota: 
  

         

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Crítica: A Entrega (2014)

Tom Hardy é um cara realmente multi versátil. Tanto ele quanto James Gandolfini. Ele que na “A Entrega” do diretor Michaël R. Roskam aparece apagado como um ser violento e inconsequente. Coisa que em “Sopranos” preenche esses dois requisitos. Se na série da HBO vemos ele como um violento mafioso italiano. Aqui ele faz um dono de bar que já teve dias áureos, mas vive das glorias do passado e pensando em modos fáceis de ganhar a vida.

O filme sai um pouco da linha de filmes de gangster clássicos onde vemos uma violência desenfreada como “Os Bons Companheiros” de Martin Scorsese e sim se concentra no drama e até num ótimo suspense. Tom Hardy da o “tom” do filme que apresenta uma excelente fotografia. Nicolas Karakatsanis é o diretor de fotografia, no qual ele faz uma excelente escolha com planos convencionais até. Mas abusa da iluminação nos cenários. E isso só aumenta tanto a tensão nas cenas, como também para mostrar as personalidades dos personagens. Caso em uma cena onde Bob (Hardy) está sendo confrontado por um bandido, e quando munda o plano, a iluminação munda também. Passando para um vermelho que se reflete nele e o semblante de Bob muda, de um cara calmo para um ser agressivo. Essa cena realmente é espetacular. Tom Hardy é um excelente ator e sua interpretação só engrandece ainda mais esse ótimo filme e de certa forma podemos até pensar que é uma homenagem póstuma a James Gandolfini já que esse é o seu ultimo trabalho.  


O roteiro que é baseado num conto do também roteirista do filme Dennis Lehane (Sobre Meninos e Lobos e a Ilha do Medo) conta a vida do submundo da máfia. Bob começa com uma excelente narração falando que o bar do seu primo, Marvin (Gandolfini) é um deposito de dinheiro do crime. Numa noite eles são assaltados e isso serve tanto pra começar uma investigação sobre o bar como também sobre o passado de Bob e Marvin. Na mesma noite Bob está indo pra casa e ouve um gemido, ele abre uma lata de lixo e um filhotinho de pitbull está ensanguentado. Essa cena serve também para ele conhecer a garçonete Nadia (Noomi Rapace) que cuida do cachorro, e assim se cria um vinculo de amizade entre os dois.

O filme apresenta algumas reviravoltas que são geniais, tanto de Bob como de Marvin. Principalmente pra Bob, que explica o porquê da fé e do seu autocontrole em frente a soluções de enfrentamento. Achei muito legal a simbologia de ele encontrar um filhote de pitbull e quando ele diz pra Nadia que eles são maus cães, ela vira e fala “isso depende do modo como ele é criado”.  A história coloca um ótimo ponto de vista da alma primitiva do homem e também o impulso sobre as situações.


Acho que o único momento que o filme peca é quando ele deixa um pouco confuso o passado de Bob, mas claro que são interpretações que o próprio diretor quer que você aprofunde, ou melhor, pense sobre como podemos mudar e acalmar “nossas feras” principalmente nesses tempos dos extremos. Uma boa produção e uma bela homenagem aos filmes de crime e também como ele sai da vertente de produções desse tipo e mergulha no drama e também bebe um pouco do suspense. Além claro de vislumbrar um ótimo trabalho de Tom Hardy que está se mostrando um dos melhores atores dessa geração e também pra se despedir desse excelente ator que foi James Gandolfini.

Assista “A Entrega” e tire suas próprias conclusões sobre o obscuro ou a iluminação da alma humana.

 Nota: