segunda-feira, 27 de julho de 2015

Crítica: Suspeita (1941)

Hitchcock talvez seja o sinônimo de perfeição no cinema. Nunca um diretor soube como equilibrar a trama, com boas atuações e uma direção incrível. Acho que sua filmografia já fala por si só como os clássicos absolutos como “Psicose”, “Janela Indiscreta” e “Um Corpo que Cai”. Além de saber se equilibrar no suspense, daí que vemos seu apelido como “Mestre do Suspense”. Alfred Hitchcock também vai para outros gêneros como a comedia e também sabe como fazer um excelente filme.

Em “Suspeita” temos várias assinaturas pessoais que vão seguir em sua carreira. Como sua obsessão pelo assassinato, a culpa, mulheres fortes e também como somos enganados facilmente em vários momentos. Esse é o primeiro filme em que Hitchcock aparece como produtor. O filme foi escrito com a ajuda da sua mulher Alma Reville, Samson Raphaelson que tinha escrito também “O Cantor de Jazz” e “A Loja da Esquina” do diretor Ernst Lubitsch. Joan Harrison outra roteirista que completa esse time criativo já trabalhou anteriormente em alguns filmes do mestre do suspense como “Rebecca, a mulher inesquecível” e “Estalagem Maldita”. Podemos notar várias referencias ao “noir”, mas talvez um “noir” inverso. Invés da “dama falta” temos um homem que é interpretado por Cary Grant, num excelente papel de um playboy falido que tenta manter as aparecia, mas mesmo assim só se mete em confusões e por outro lado temos sua esposa Joan Fontaine, uma mulher forte e inteligente que aos poucos vai descobrindo a verdadeira face de seu marido. E claro outra referencia é como o perigo é mostrando em tela. Temos as cortinas que forma na sombra o aspecto de uma grade de prisão e como a palavra ou até o sentindo “murder” é colocado em cena. Na parte em que ela está jogando “scrubes” com o marido e um amigo dele e os dois discutem sobre um terreno e o que aconteceria se o seu sócio morresse, vemos como as engrenagens começam a se encaixar na mente de Lina (Fontaine) e ela forma “assassino” no jogo e ela percebe que seu marido talvez seja um “serial killer”.


Os diálogos precisos e também as atuações completa dos personagens fazem o filme girar de um modo criativo e também inesperado, visto pelo seu final apreensivo e revelador. É gozado como algumas decisões podem alterar para sempre um filme. Caso é em “A Suspeita” onde no roteiro Johnnie (Grant) era para ser um assassino cruel e o estúdio decidiu mudar essa parte. O que foi muito bem colocado e que deixou o filme mais leve e muito mais real com as situações propostas. Uma curiosidade é que Joan Fontaine foi à única atriz a ganhar o Oscar num filme de Hitchcock.


Em “A Suspeita”, mostra todo o conteúdo criativo de Hitchcock, como sua facilidade em lidar com questões humanas como o egoísmo e também as ações das pessoas com outras e a tolerância, assunto que fica ainda mais palpável em outro filme do diretor que é “Marnie - Confissões de uma ladra”. Acho que o começo do diretor em seus filmes é um gigante começando a andar com passos grandes e que aos poucos começa a correr para nunca mais parar. É incrível como os filmes do diretor conseguem ser atuais e também deixar o publico tenso não importando quantas vezes você já viu o filme. Acho que esse é o mérito do “mestre do suspense”.  

Nota:        

          

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Crítica: O Ultimo Matador (1996)

Um dos gêneros mais pessoais que eu gosto é o western e o cinema samurai, por assim dizer. Mas se analisarmos bem os dois se encontram, vendo por grandes clássicos como os filmes Akira Kurosawa com “Yojinbo” e os “Sete Samurais” ambos refilmados excelentemente, um pelo cinema americano e outro pelo italiano.

Mas é incrível que mudando alguns elementos, propósitos ou até etnias o filme ganha outro aspecto. Que foi o caso de ‘Yojinbo” que nas mãos de Sergio Leone virou “Por uns dólares a mais”, ele colocou o western americano em cena,usando um personagem cativante de poucas palavras e implacável que é o “Homem sem nome” e também os propósitos dos personagens, bem esse ultimo continua o mesmo, já que a principal características de ambos é o dinheiro, e lucrar em cima de algo.

Em 1996 o diretor “Walter Hill” que já havia dirigido filmes muito bons como o clássico “Warriors”, “Inferno Vermelho” e as duas partes de “48 horas”. Hill que adaptou a história de Kurosawa e colocou alguns elementos novos, no caso tirou o “velho oeste” e colocou a máfia no lugar e o filme se passa nos anos 30 ou 40, já que não temos a data certa do ocorrido no filme. Mas bem, o que mais deixou o filme esquecido, é a ambientação e como toda hora temos que lembrar que não estamos no western e sim num mundo, mas moderno. O maior erro do filme foi isso, invés dele colocar o filme numa cidade grande no caso “Chicago” já que o filme vive citando esse lugar, ele preferiu usar o velho oeste mesmo. Jericho, perto da fronteira do México, é onde a história se passa. Mas realmente valeu a pena mudar isso? O filme parece mais um “western spagheti” B.


O filme começa com a narração de John Smith (Bruce Willis), que alias a narração é o que acompanha o filme em todas as cenas. Isso deixou o filme lento e previsível. Com a chegada do desconhecido na cidade, ele provoca a curiosidade de duas famílias de mafiosos. Não sabemos o passado de Smith e nem o que aconteceu para ele ir para aquele fim de mundo. O que sabemos só é que Smith é um ótimo atirador e vive pelas suas regras. Logo ele começa a ver o terreno onde está pisando e decide lucrar com isso, e trabalha para as duas famílias mafiosas rivais, colocando entre choque as duas. O roteiro não muda, é a mesma coisa se compararmos os filmes antigos do Kurosawa e do Leone, o que mais marca no caso é Bruce Willis no filme que empenha um ótimo papel, mas é prejudicado com a narração, o lance dele não falar nada e o deixar ainda mais misterioso é ofuscado com a narração, que tira esse “carisma” que o personagem apresenta.

Logo ele começa suas artimanhas e lucra bastante com isso, Mas o que vemos com um filme que poderia dar certo e ser um dos melhores filmes do “novo western” são atrapalhados e confusos. Primeiro pelos elementos que falei que é ambientação que confunde muito e toda hora você ter que lembrar que não é o velho oeste, e os planos que são poucos explorados, principalmente que a maior referencia do diretor seja Sergio Leone, séria interessante o uso dos famosos planos de “Por um punhado de dólares a mais” nesse filme.

A produção não é de todo ruim, mas alguns elementos fazem isso e prejudicam a trama bastante, como o caso que séria o conflito maior de Smith que é outro assassino o famoso “Hickey” (Christopher Walken), ele é mais descartável do que os outros coadjuvantes, não chegando a ser nenhum peso a mais para o nosso herói lidar e sim só mais um nome no filme. E isso foi tão “broxante” que você não acredita no péssimo final do filme. Mas mesmo com todos esses problemas, ele consegue nos divertir pelo menos. Mas ele chegar a ser mais um caso de um filme que poderia ser um grande épico ou até uma grande produção, mas é atrapalhado por escolhas erradas, o colocando no posto de “remakes” errados.

“O Ultimo Matador” claramente se tornou um filme de produtor, deixando o cinema de autor atrás de princípios, principalmente pelos filmes que Hill dirigiu. Parece que não foi dessa vez que tivemos um grande matador e nem um ultimo filme de um gênero que tanto gosto. 

Nota:       

          

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Crítica: Entre o Amor e a Paixão (2011)


Acho que nunca vi um filme como “Entre o Amor e a Paixão”. É um misto enorme de emoções, você começa com uma felicidade e depois passa para uma melancolia, daí você entra em um estado de pena dos personagens até que volta novamente para o estado de felicidade, acho que é esse o sentimento que Sarah Polley a diretora do filme quer passar para gente.

Falando da Sarah Polley que sempre foi uma atriz e começou fazendo alguns curtas-metragens, até chegar aos longas-metragens, se mostra uma ótima diretora e roteirista. Primeiro por que o roteiro é impecável nos pontos de viradas e ao compartilhar os sentimentos dos personagens e segundo pela parte técnica que é formidável, ela usa uns ângulos bem ousados e tem uma parte de uso de “travelling” que é muito bem feito. Sem contar como os personagens são bem explorados, visto pela protagonista do filme Margot (Michelle Williams) que mostra seus sentimentos pelas cores, o legal de como o filme é diferente é quando ela fica triste ou perdida com ela mesma, ela reflete isso nas suas roupas, por exemplo: Ela usa sempre roupas multicoloridas, batom com cores fortes e seu esmalte é sempre com cores vibrantes é legal que mesmo ela usando cores vivas, ela passa um sentimento de melancolia e quando finalmente ela fica bem com ela mesma, ela usa uma roupa neutra sem sentimento algum.

O filme começa na Nova Escócia, Margot está passeando para buscar inspirações para um livro e logo encontra Daniel (Luke Kirby) um estranho que começa a ter um interesse por ela, até ai o espectador é levado a crer que uma historia de amor inocente é criado. Quando os dois voltam para o Canadá, ela conta que é casada. E isso gera um estranho sentimento de raiva. Por que ela não contou antes que era casada? Seu marido Lou (Seth Rogen) é um cozinheiro especialista em frangos e divide sua atenção com Margot e sua paixão a cozinha. Alguns filmes colocam a infidelidade do personagem como uma desculpa para mostrar, o porquê de a pessoa trair, se o marido é um escroto e tal já seria um motivo de traição. Mas Lou é um doce de pessoa atencioso com a sua mulher, e nunca a deixa em segundo plano e quando Margot insiste em ter alguma coisa extraconjugal com Daniel, você fica se entender o porquê desse comportamento de Margot, ela diz que ama o marido, mas mostra outra cena e ela está em cima de Daniel o provocando.


O sentimento que a Sarah Polley quis transmitir de mostrar esse misto de “Entre o amor e a paixão” é perfeito por que realmente o que é o amor? E o que é a paixão? Um é mais forte que o outro? As tramas paralelas do filme também são muito bem feitas como o papel incrível que ficou para Sarah Silverman, de irmã de Lou, ela interpreta Geraldine uma ex-alcoólatra que ainda sofre pelo efeito do vicio. É interessante como às tramas ficam melhorando pouco a pouco e mexe com vários sentimentos internos das pessoas, mas no final você descobre que Margot é uma pessoa viciada em “começo de relacionamentos” onde se tem mais paixão e as coisas são melhores como o sexo, a convivência e depois que você vai se acostumando ela pula fora desse relacionamento.

Um bom filme para quem já viveu essa situação ou provavelmente vá viver, por que nenhum relacionamento é para sempre e mesmo que seja quem garante que as duas partes são felizes. Acho que Margot é um pouco de cada um de nós, é a pessoa que se ilude com uma nova paixão, e pensa que as coisas vão ser diferentes, é a pessoa que só quer recomeçar e recomeçar ou também é aquela pessoa que só quer a parte boa do relacionamento o “sexo”.


Mas aviso que esse é um filme dolorido por que, quem já teve essa experiência de traição pode se imaginar na pele de Lou que é pego de surpresa pela atitude de Margot e mesmo você vendo tudo isso do lado de fora ainda dói na alma sentir aquele gosto da traição.

Nota:      


            

domingo, 5 de julho de 2015

Crítica: Complicações do Amor (2014)

Em seu primeiro longa metragem o diretor Charlie McDowell, filho de Malcolm McDowell. Consegue equilibrar um bom romance com uma ficção muito bem bolada. A história apesar de simples no começo tem um desfecho bem interessante. Apesar dele não ter escrito o roteiro isso ficar nas mãos do também estreante Justin Lader. Os desfechos são bem construídos e os diálogos muito bem elaborados. O que gostei mais no filme é como os personagens apesar do começo parecerem bem neutros, eles vão mudando e mostrando uma face que não imaginávamos ou até mesmo os personagens dentro da história não pensavam. A atuação do casal vivido pelos atores Mark Duplass e Elizebeth Moss.

“Complicações do Amor” começa com Ethan (Duplass) e Sophie (Moss) na terapia. Eles conversam de como está difícil a relação e desgastante ao mesmo tempo. O terapeuta deles que é vivido por Ted Danson, sugere que eles fiquem na casa de campo onde ele aluga para os casais se recuperarem.  Decididos a mudar e também recomeçar novamente, eles embarcam até a casa. Um lugar muito bonito realmente. O legal desses filmes mais “indies” e alternativos é como eles escolhem lugares muito lindos para a gravação o que melhora e muito a fotografia do filme também. Quando eles vão para a nova casa, começamos a perceber que tudo é preparado para eles se acomodarem, voltarem a ficar juntos e tal. Mas o que não contamos e achei maravilhoso na história é uma espécie de “buraco de minhoca” que é colocado na trama e a questão de não explicarem ou tentarem dar uma explicação muito elaborada para aquilo tudo.


No começo é difícil você pegar o que está acontecendo também, não é um filme muito fácil de se assistir. Ele é um pouco complicado, ainda mais no ponto da ficção, de você tentar entender o que está acontecendo naquela casa. Até o momento que você descobre as coisas junto com o casal. Mas, afinal o que está acontecendo? Bom o que acontece é que ao entrar num outro ponto da casa, o casal tem um contato, ou melhor, uma versão melhorada deles. E o legal é que isso só funciona se cada um entrar separado do seu parceiro. Então temos Ethan conhecendo uma Sophie mais agradável ou uma Sophie conhecendo um Ethan menos paranóico e mais divertido. Assim ela se apaixona pelo seu marido de outro universo. O que causa um choque no Ethan do começo do filme. A primeira vista parece bem confuso tudo isso e realmente é. Mas o roteiro e a direção conseguem explorar e simplificar tão bem essa questão que fica fácil nos aproximar ou ter uma empatia pelo casal das duas versões.


O filme depois de um tempo brinca com essa questão de universos paralelos, misturado com o drama que eles vivem. Em certo ponto não sabemos quem está certo ou errado em se envolver com quem não se deve ou deve. Essa mistura e esses sentimentos fazem com que fiquemos confusos com nos mesmo. E isso é o maior trunfo do roteiro. Com um final bem legal, ou melhor, uma aceitação bem legal “Complicações do amor” consegue manter uma trama bem elaborada e também uma direção muito eficiente. Que só melhora como eu disse com a atuação de Duplass e Moss. Um bom filme para ver com quem se ama ou sozinho. Bom você escolhe, ou melhor, pense o que o seu eu estaria fazendo num universo diferente. É legal pensar nessas possibilidades de interação. Mas como um primeiro filme e também um primeiro roteiro para longa-metragem Charlie McDowell e Justin Lader estão de parabéns e tomares que façam mais filmes com essa mesma temática, ou melhor, até. É esperar para ver.  

Nota:      

              

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Crítica: Cala Boca, Philip (2014)

Alex Ross Perry é aquele típico diretor que é mais conhecido em festivais independes do que por sua grande fama com o publico, ou seja, um pequeno “nicho” o conhece. Mas isso também aconteceu com diretores como Tarantino, Robert Rodriguez, Wes Anderson e etc.  

Chegando em seu terceiro longa metragem o diretor e roteirista de apenas 30 anos consegue contar uma boa história, boêmica e também madura sobre relacionamentos pessoais e interpessoais e sobre a vida também. Ao longo da produção, acompanhamos a rotina de três personagens, mas todos se apoiam em Philip (Jason Schwartzman), um escritor que não consegue alcançar seu próprio sucesso pessoal. Na verdade não sabemos o que ele quer da vida. Mesmo sendo reconhecido e tendo um retorno desse investimento que é a escrita e tal. Ele é amargo e cruel com as pessoas o tempo todo. Acho que isso é o charme de Philip na trama, por isso ele conquista o veterano autor Ike Zimmerman (Jonathan Pryce) com quem  se refugia numa casa de campo. Mas vemos que Ike usou Philip como um apoio motivacional para ele voltar a escrever.

Nesse meio tempo vemos a história de Ashley (Elisabeth Moss) a namorada de Philip. O legal do filme é como o diretor aborda todos os lados. Se num momento temos a história do ator principal acontecendo, ele para de contar essa história de um personagem, e foca em outro. Em meia hora ficamos sabendo como superar um relacionamento. Ashley larga esse sentimento de ter Philip como seu namorado e assume que ele em primeiro lugar é um canalha e segundo que ele nunca a amou. Então ela supera os lugares onde eles viviam juntos, volta a frequentar bares, sair com pessoas e etc. É legal como Alex Ross Perry invoca esse espírito em poucas paginas no roteiro, achei muito real e engraçado algumas coisas mesmo sendo rápido. É fácil a identificação com os relacionamentos errados nesse ponto da história.  


Voltando para Philip como protagonista, ele consegue um emprego como professor numa faculdade e assim fica por um tempo e conhece algumas pessoas como Yvette (Joséphine de La Baume), uma professora dedica que se apaixona por Philip, acredito que ele realmente se sente desejado e também tem um amor naquilo tudo. Mas como ele é egoísta e fala as coisas sem pensar e também como ele se coloca como “vitima” em várias situações, acaba afastando as pessoas. Gostei como o roteiro e as falas rápidas de todos os protagonistas conduzem o file num estilo certo e também muito divertido na trama, como o humor negro típico de Philip e a leveza que vemos a história de Ashley.


A fotografia de Sean Price Williams, no qual ele já contribui em trabalhos anteriores do diretor. Carrega um ar dramático, os pontos marrons que ele coloca em sua fotografia, mostra a antipatia do personagem. Mesmo em momentos felizes que vemos com outros personagens, a cena é escura e podemos perceber que isso da um impacto por causa da presença de Philip, a presença dele é obscura. Mas ao mesmo tempo em que ele não está em cena. Como foi o caso onde temos a historia de Ashley, onde as palhetas de cores são mais alegres e vivas também.

Um bom filme com um final bem coerente e até imaginável em certo ponto, a filmografia de Alex Ross Perry é bem nova para mim, mas já digo que sem duvidas ele já me conquistou. Agora é ver seus filmes anteriores e esperar ansiosamente pelos outros.  

Nota:      

               

terça-feira, 23 de junho de 2015

Crítica: O Estranho sem Nome (1973)

Revisitando a filmografia de Clint Eastwood você descobre vários filmes diferentes de sua personalidade que vai de “As Pontes de Madson”, “Gran Torino” e o genial “Menina de Ouro”. E claro coisas grotescas como “Sniper Americano”, “Curvas da Vida” e “O Estranho sem Nome”.  Esse ultimo que é o segundo filme de Eastwood na direção conta com vários planos e até mesmo a história que podemos lembra da trilogia do “Homem sem Nome” de Sergio Leone.  Mas a questão é que o filme foi muito mal realizado. A questão de se assumir a direção como Leone fazia com os planos médios, americanos e planos gerais se copia do começo ao fim. E assim não temos uma ousadia do diretor em seu segundo longa.

A história de um pistoleiro sem nome que chega numa cidade. Onde primeiro é visto como um vagabundo e rapidamente mudando esse “status” para um pistoleiro rápido e cruel, toma conta do filme e assim também a personalidade do estranho. Normalmente temos a presença do “anti-herói” em todo “western spaghetti”, mas o papel de Clint está mais que ultrapassado. Nas primeiras cenas já vemos um estupro acontecendo. A polemica só agrava, quando vemos ele sendo “escroto” com todos da cidade. Usando e abusando de todos, ele consegue extorquir a maioria. O que causa a fúria das principais autoridades.



Sabemos por meio de “flash-backs” quem na verdade é o estranho. Essa parte ficou bem confusa. Como ninguém lembra a cara do xerife da cidade? Essa parte em si ficou muito mal explicada.  Quando temos o conflito tanto do personagem com o restante da cidade, vemos que ninguém presta em nenhum lado. Em “Sniper Americano” acredito fielmente que Eastwood quis falar algo com aquele filme, como ele quis falar nesse de 1972. Mas o que ele queria na verdade?

Ernest Tidyman, o roteirista do filme e também criador de excelentes roteiros para o cinema como “Operação França” e “Shaft”. Conseguiu deixar confusa a história. Desde o porquê da matança, chegada do estranho na cidade, suas intenções também o motivo da vingança.  Apesar de ser um clássico do faroeste americano. Sua história é confusa, o filme é sem graça e também a direção de Eastwood começa grandiosa, mas acredito que os deslizes no roteiro seja o que mais prejudicou o filme. Coisa que não vemos de diretores como John Ford e até o já citado Sergio Leone. Mas como um segundo trabalho do “novato” Eastwood. O filme peca e muito, não teve nenhuma ousadia e sim conseguíamos prever cada ação ao longo da história.


O legal de ver os primeiros filmes de grandes diretores é como percebemos a evolução no estilo e também na forma de narrar à história e acredito que a premiação de Eastwood esteja ai pra provar como ele melhorou e fiz coisas lindas para o cinema. É espetacular a evolução dele aos longos das décadas. Mas “O Estranho sem Nome” é um filme pra ser visto como titulo de curiosidade e não como uma obra prima do diretor e menos como para o cinema de western. Mas confira é sempre bom ver o passado.

Nota:      
               
                            

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Crítica: Amaldiçoado (2013)


A primeira vez que vi algo falando de “Amaldiçoado” pensei que ia ser uma coisa chata sem fim. Ou um romance “teen” usando o sobrenatural como plano de fundo. Mas me surpreendi quando vi que a história é baseada no livro “Horns” do escritor Joe Hill, filho de Stephen King.  Confesso que ainda não li nenhum livro de Joe Hill, apesar de ter comprado “A Estrada da Noite”. Mas deixando os livros de lado. O filme conta com Daniel Radcliffe como personagem principal.

O diretor Alexandre Aja é um veterano no terror e conseguiu equilibrar bem o filme entre um "thriller" bem elaborado, misturado com a ficção que da todo o charme da produção. Ig (Radcliffe) é um garoto que teve sua namorada morta e ele é o principal assassino. Mas contra tudo e todos ele pretende provar sua inocência mesmo que para isso ele tenha que perder sua alma. Numa noite ele quebra algumas imagens religiosas e no dia anterior ele nasce com chifres. Achei legal isso de não explicar como ou porque ele ganha esses e simplesmente ele possui. Isso nos livra de explicações bobas e também deixa a imaginação do espectador fluir livremente.

A história que é muito bem contada e tem uma trilha sonora magnífica que já começa com “David Bowie” desperta uma emoção legal. Principalmente nas cenas onde vemos o relacionamento de Ig e Merrin (Juno Temple) se desenrolar. As cenas de felicidades entram em contraponto com a dura realidade que a garota da sua vida foi morta e você está sendo acusado desse crime. Como você se comportaria?  Elogiar Radcliffe parece ser redundante nesse caso porque ele realmente faz um excelente trabalho no filme. Nem lembramos ou o relacionamos como “Harry Potter”. O amadurecimento do ator para esse filme ficou ótimo e também muito bem feita. Pena que no Brasil o filme foi completamente ignorado.  

                           

A parte técnica do filme é excelente. Tanto pelo diretor de fotografia Frederick Elmes que coloca as cores quentes e frias ao mesmo tempo em cena, no qual nos remete a um “Éden” esquecido ou um misto de paraíso e inferno. Como as lembranças de Ig que são fortes e assim temos as cores mais fortes como o amarelo e o vermelho e sentimos o calor das cenas e quando ele volta pra realidade vemos as cores mais frias e também a frieza da cidade. Esse trabalho realmente ficou incrível. E não é atoa também, Elmes é diretor de quase todos os ótimos filmes que marcaram a história do cinema como os principais de David Lynch que vai de “Veludo Azul” até “Coração Selvagem”. O editor Baxter que é velho de guerra, amigo do diretor e trabalhou em quase todos os filmes que ele dirigiu faz um ótimo trabalho com a edição também.

                                

 “Amaldiçoado” é um ótimo filme que vale ser visto e reconhecido como um misto de terror e fantasia. E sai também do convencional de “teen horror”. A família King está de parabéns. O roteiro que ficou por conta de Joe Hill e também do iniciante Keith Bunin ficou ótimo e assim vemos a verdade através dos olhos de várias pessoas e o ponto de vista também. O que não deixa a história nem um pouco óbvia e chata.  A “Netflix” disponibilizou o filme em sua grade então é só correr e se surpreender pelo papel de Radcliffe e também pelo excelente trabalho de Alexandra Aja. 

Nota: